Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 02/10/2019
No filme “Preciosa”, o autor narra a história de uma jovem que engravidou aos dezesseis anos de idade e, por isso, sofreu muito preconceito na família e na sociedade, além de ter problemas para continuar os seus estudos. Longe da ficção, muitas adolescentes brasileiras ficam grávidas precocemente e vivenciam a realidade retratada na obra. Nesse contexto, deve-se analisar o porquê de a maioria das gestantes - entre 14 e 19 anos - evadem do ambiente escolar bem como o preconceito sofrido por essas.
É relevante abordar, primeiramente, que a grande maioria das adolescentes que ficam grávidas abandonam os seus estudos. Isso ocorre porque ao descobrir a gestação essas se veem obrigadas a dedicar-se - integralmente - ao filho e a procurar emprego, além de - na maioria dos casos - não ter um local apropriado para deixar a criança. Esse triste fato é evidenciado pela notícia publicada pelo portal de informações G1, em 2017, demonstrando que quase 80% das mães que possuem entre 14 e 19 anos abandonam os estudos após a concepção.
Além disso, muitas jovens sofrem preconceito por serem mães tão jovens, visto que a sociedade brasileira trata a sexualidade como tabu. Sendo assim, os pais não mantêm diálogos - frequentes e abertos - com os filhos sobre o assunto, deixando-os não só ainda mais suscetíveis a uma gravidez precoce como também ignorantes quanto ao assunto, perpetuando assim a discriminação à essas adolescentes. Isso é comprovado pelo pensamento Durkheiminiano, o ser é aquilo que a sociedade faz dele, nesse sentido, o grupo social que aborda o sexo como um assunto desautorizado ao colóquio terá graves consequências: jovens mais vulneráveis a gravidez na adolescência e a perpetuação da intolerância à essas.
Dessa forma, medidas governamentais são necessárias para minimar a problemática em questão. Portanto, urge que o Ministério da Educação crie - com prioridade - programas de combate a evasão escolar dessas adolescentes, com o auxílio de professores, com o fito de minimizar esse problema. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover - com urgência - palestras no âmbito escolar, com a presença de médicos, para abordar as consequências da gravidez na adolescência a fim de possibilitar a educação sexual dos adolescentes e, assim, atenuar o problema e combater o preconceito a essas mães precoces. Somente assim, o filme “Preciosa” será apenas uma ficção e deixará de retratar a realidade de várias adolescentes brasileiras.