Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 27/09/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Por meio do trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que a sociedade ao longo do seu desenvolvimento encontra obstáculos em sua caminhada. De maneira análoga, o cenário brasileiro não se difere, uma vez que a gravidez na adolescência se configura como grande impasse social para o Brasil.
Em primeira análise, a forte formação cristã ocorrida no Brasil conduziu o sexo à posição de tabu. Dessa forma, a dificuldade de comunicação existente no meio familiar e nas escolas, bem como a consequente falta de informação sobre o tema, fazem da gravidez precoce uma problemática nacional. Embora, segundo o Ministério da Saúde, a taxa de natalidade entre os jovens venha sofrendo redução, essa continua alta perante a dos países desenvolvidos, assim, perpetuando o estado de pobreza de parte das adolescentes brasileiras, uma vez que a gravidez está associada ao abandono escolar e consequentemente à dificuldade de se posicionar bem no mercado de trabalho.
Outrossim, é valido ressaltar que, conforme Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma com que essa ação possa ser uma prática universal. De maneira análoga, a gravidez na adolescência vai de encontro à ética kantiana, dado que se todas as adolescentes engravidassem, essas poderiam sofrer perda de oportunidades, enfrentariam preconceito, e provavelmente teriam de optar pela evasão escolar, já que cuidar de uma criança torna-se trabalhoso. Com base nisso, a ocorrência da gravidez precoce é prejudicial à ordem social e, por conseguinte, torna-se indesejável para quaisquer mulheres.
Destarte, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização dos jovens brasileiros acerca do problema, urge que o Ministério da Saúde (MEC), estimule, por meio de verbas governamentais a forte introdução de uma plataforma de educação sexual nas escolas, com o objetivo de formar jovens informados e responsáveis perante suas vidas sexuais. Além disso, o investimento estatal sobre as mídias para a criação de propagandas destinadas à divulgação dos malefícios de uma indesejada gravidez na adolescência, é de suma importância. Assim, observar-se-ia a ausência de uma pedra no caminho para o desenvolvimento social e o rompimento de um forte tabu cultural.