Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 30/09/2019
Na década de 1960 o surgimento da pílula anticoncepcional foi essencial para o progresso social, visto que, com a possibilidade de evitar a gravidez inesperada, muitas mulheres puderam exercer o planejamento familiar. No entanto, apesar da existência de variados métodos contraceptivos, a falta de educação sexual e políticas de prevenção são recorrentes no Brasil. Desse forma, majoritáriamente, adolescentes, sem instrução, são as mais acometidas por essa situação, da qual resulta uma série de problemáticas.
Em primeira análise, pontua-se que, consoante ao pensamento de Pierre Bourdieu, a ‘‘violência simbólica’’ é uma prática cultural que inferioriza e induz algumas pessoas como as mulheres, por exemplo, a se posicionarem no âmbito social seguindo padrões. Sob essa ótica, o contexto machista do país oprime a educação sexual feminina, haja vista que o assunto é um tabu nas escolas e famílias de muitas adolescentes. Nesse viés, a falta de orientação dessas meninas está relacionada com a gravidez por descuido ou até mesmo pelo abuso sexual e consequências graves, como o abandono escolar e a formação de famílias desestruturadas são notórias.
Além disso, ressalta-se que a ineficiência de políticas de prevenção são alarmantes, haja vista a burocracia para aquisição de pílulas no Sistema Unico de Saúde (SUS), onde há longas filas de espera para atendimento ginecológico. Logo, a problemática da gravidez indesejada perdura, pois 1 em cada 5 nascidos são filhos de adolescentes no Brasil, de acordo com o site G1. Assim, perpetua-se o ciclo vicioso da precocidade de grávidas, principalmente de meninas mais pobres, que necesitam do amparo estatal.
Desse modo, é preciso que a União, junto ao Ministério da Educação, por meio de recursos do Produto Interno Bruto, invista na criação de cadeiras de educação sexual, a partir da quinta série das escolas públicas. Posto isso, sociólogos e biólgos ministração aulas elucidativas que poderão contar com os pais juntos. Ademais, o Governo deve expandir o número de ginecologistas no SUS, no fito de evitar filas, só assim a violência simbólica, descrita por Pierre, será extinta e a gravidez um ato planejado.