Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 30/09/2019

No filme “Preciosa”, drama premiado ao Oscar, a protagonista Claireece Jones de 16 anos enfrenta as consequência da gravidez precoce no seu cotidiano escolar e familiar, como o bullying e o preconceito. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelo filme pode ser relacionada a vida estudantil de diversas jovens no século XIX: cada vez mais, a gravidez na adolescente demonstra tanto a falta de comunicação entre jovens e adultos quanto a imobilidade estatal frente a questão.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que a sociedade brasileira é predominantemente cristã e, devido a isso, questões como gravidez são historicamente vistas como um estigma social, sendo pouco retratadas. Desse modo, o diálogo entre pais e filhos sobre a temática, muitas vezes, é inexistente e, assim, levam os índices de gravidez na adolescência a ganharem um caráter, cada vez mais, ascendente. Nesse sentido, tendo em vista dados da OMS, o Brasil é um dos países da América Latina com a maior média de casos de gravidez precoce. Em meio a isso, os jovens tendem a sofrer diversas consequências, como o preconceito e a evasão escolar, devido a falta de apoio e de empatia social: fatos que mostram o quão grave se torna a questão.

Outrossim, além dos empecilhos causados pela falta de comunicação, a imobilidade estatal se configura como outro aspecto que auxilia na amplificação da problemática, tendo em vista que a efetivação de processos informativos e educacionais na escola e sociedade sobre a temática é pouco disseminado e, os jovens raramente recebem auxilio pós o ocorrido - mães e filhos são deixados de lado e sem apoio profissional -. Analogamente, pode-se vincular o pensamento do ator e músico britânico Charlie Chaplin, em que a verdade é sempre o melhor caminho, mesmo que gere incomodo: assim, é notório que apesar dos estigmas sociais, é importante garantir meios de informar a população e os jovens sobre os riscos que a gravidez na adolescência pode trazer.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para dirimir a questão. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - Governo, Mídia e entidades privadas - haja a divulgação da importância do diálogo entre jovens e adultos, por meio de campanhas abrangentes e impactantes que conscientizem e informem sobre os riscos e consequências da gravidez precoce, para que assim os jovens possam se prevenir e sentir-se mais acolhidos e a vontade para conversar sobre o assunto. Além disso, é importante que o Ministério da saúde de auxilio as jovens mães, por meio da inserção de profissionais da área, como psicólogos, para evitar a evasão escolar e dar apoio emocional tanto a família quanto à adolescente. Só assim, será evitado que casos como o de Claireece, se tornem comum na sociedade.