Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 01/10/2019

No filme americano “Juno”, a adolescente Juno Macguff possui apenas dezesseis anos e está grávida de seu vizinho, Bleeker. Mediante essa situação, a jovem vê a adoção como solução, já que é muito imatura para ser mãe. Fora da ficção, tem-se um cenário análogo, visto que inúmeras jovens estão na mesma conjuntura de Juno, sendo pertinente ações governamentais que reduzam a gravidez na adolescência, como prezar pela educação sexual e erradicar o preconceito cristalizado na sociedade.

Em primeiro aspecto, o livro naturalista “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo, aborda a problemática de Marciana, a qual era uma mãe severa e que evitava dialogar com a filha Florinda, em que essa engravidou aos quinze anos e abandonou a escola. Nesse contexto, é perceptível que a conscientização sexual atua como uma ferramenta ímpar contra a gravidez precoce, mitigando a evasão escolar. Sob tal ótica, o abandono dos estudos pelas jovens mães resultarão em problemas no âmbito laboral, uma vez que essas não terão o conhecimento exigido pelo mercado de trabalho, assim somente pela educação sexual essa condição será revertida e casos como o de Florinda reduzidos. Dessa forma, segundo o IBGE, 20% dos bebês que nascem têm mães com idades entre 15 e 19 anos , o que reforça a urgência do diálogo sexual.

Paralelo a isso, a canção “Que país é esse?” da banda Legião Urbana, denota em seus versos uma crítica a uma nação intolerante e negligente. Nesse viés, muitas das gravidezes na adolescência são decorrentes de estupros e abusos, em que devido a uma sociedade patriarcal embasada em preconceitos há o receio da denúncia. Visto isso, tentando evitar o julgamento social, tem-se a busca por abortos clandestinos, o que, na maioria das vezes, leva a morte da mãe e do filho. Tal fato é reforçado pela perspectiva de Sócrates em que - os erros são consequências da ignorância humana - isto é, mortes poderiam ser evitadas e o exercício da denúncia poderia ser efetivado pela empatia humana e respeito ao próximo, viabilizado por uma educação de qualidade.

Enfim, com o intuito de que o filme “Juno” deixe de representar a realidade, medidas são necessárias. A priori, cabe às escolas em sincronia com as famílias, por meio de aulas lúdicas, promoverem debates acerca da educação sexual, introduzindo métodos contraceptivos e alertando sobre os riscos de uma relação sexual sem preservativo, obtendo indivíduos sagazes e conscientes. A posteriori, urge que o Estado, na figura do Poder Legislativo, por intermédio de ONG’s, crie um canal de denúncia que possa acolher casos de abuso sexual, a fim de que haja o estímulo à punição de forma específica aos agressores. Somente assim haverá um mundo mais íntegro e que preza pelos princípios de Sócrates.