Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 02/10/2019

No filme norte-americano “Juno”, Juno é uma jovem de 16 anos que, acidentalmente, engravidou de Paulie. Após descartar a opção de realizar um aborto, passou a procurar em jornais um casal a quem possa entregar o bebê, já que não apresentava condições para criá-lo. Fora da ficção, é fato que a gravidez na adolescência decorre da omissão escolar e da herança histórico-cultural os quais acentuam o quadro de negligência no Brasil.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de educação sexual nas escolas é um dos obstáculos para o cenário atual. Visto que o ensino brasileiro trata a questão do sexo e da sexualidade, majoritariamente, de uma perspectiva conteudista - aulas de biologia pura e simples - sem discutir , por exemplo, as construções sociais, culturais e econômicas as quais estão por trás da discussão. De acordo com o psicanalista Freud, na obra “Totem e Tabu”, o sexo é notado como tabu, uma vez que a sociedade tem dificuldade de trabalhar o tema, principalmente, com crianças e jovens. Assim, os indivíduos não são instruídos ou lhes é apresentado apenas uma educação sexual afastada do cotidiano juvenil.

Além disso, nota-se que o aspecto histórico é o principal desafio nesses panorama da atualidade. Em razão de certa perpetuação de uma série de preconceitos e de mitos acerca da sexualidade, sobretudo, a feminina, a partir da fundação de uma sociedade a qual é patriarcal e machista. Nesse sentido, denota-se a associação da virgindade com a sacralização imposta na época da colonização, haja vista que existia uma exaltação da pureza. Desse modo, o passado ainda se faz presente, tanto que não se discute com as meninas sobre as maneiras de se protegerem da gestação precoce e até mesmo das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro vigente. Para que diminua a gravidez na adolescência, urge que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde e a Mídia promovam o esclarecimento formal e informal da população brasileira sobre as mazelas oriundas da gestação juvenil, por meio da transmissão, em horário nobre, de novelas com elenco engajado na causa, destacando os problemas os quais podem ocorrer não apenas aos jovens e seus filhos, mas também para toda a sociedade. Somente assim, será possível combater as histórias igual a da Juno e, ademais, mudar a visão de tabu sobre o sexo e a sexualidade nos cidadãos do século XXI.