Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 03/10/2019
Durante a Idade Média, não existia uma concepção sobre as diferenças entre a infância, adolescência e fase adulta. Nos dias de hoje, entretanto, apesar da sociedade ser conhecedora da necessidade de garantir a proteção dos jovens, diversos problemas ainda impedem o seu bem-estar, como a gravidez precoce. Nesse sentido, de forma geral, esse fato pode ser atribuído à falta de esclarecimento social e aos impactos causados pela profunda desigualdade social existente no Brasil.
É necessário destacar, inicialmente, o fato do debate acerca da sexualidade humana continuar reprimido no século XXI, sobretudo, quando se trata do aconselhamento dos adolescentes. Conforme analisou Sigmund Freud no livro “Totem e tabu”, a maior parte dos preconceitos são enraizados na construção histórica e cultural de uma sociedade, como pelo conservadorismo religioso chegado no país com a colonização. Em contrapartida, a exposição do ato sexual em si, tornou-se cada vez mais explícita, haja vista que o avanço tecnológico facilitou o acesso aos mais diversos tipos de conteúdo. Diante disso, a vida sexual é iniciada de forma precoce, sem que haja o conhecimento necessário para evitar o contágio de Doenças Sexualmente Transmissíveis e do uso adequado dos métodos contraceptivos. Assim, apesar do governo ter buscado ações para reduzir esses casos, isoladamente, elas são pouco efetivas se não houver o esclarecimento social.
Diante disso, graves efeitos para o individuo e sociedade podem ser pontuados. Em síntese, a gravidez precoce é um dos principais motivos para a manutenção do ciclo da pobreza, uma vez que, a jovem mãe ,na maior parte das vezes, não possui a estrutura e o apoio adequado, o que a leva a abandonar a escola e posteriormente a ocupar um subemprego de baixa remuneração. Logo, o filho gerado na maior parte das vezes crescerá em um ambiente sem as estruturas básicas como a educação o que o tornará potencialmente vulnerável a manter esse ciclo. Pois, segundo destaca Emanuel Kant somente através do conhecimento o homem pode sair do estágio de menoridade e se tornar verdadeiramente autônomo das suas ações.
Por conseguinte, é fundamental que o corpo social desenvolva medidas para diminuir a gravidez na adolescência. Para tanto, o Governo Federal deve ampliar o programa “Saúde na escola” para que profissionais da saúde em conjunto com os professores possam orientar os alunos sobre a educação sexual e os riscos como gravidez precoce e DSTs, por meio palestras e projetos interdisciplinares desenvolvidos na sala de aula. Associadamente,é importante que ele divulgue na mídia campanhas para incentivar a família sobre seu papel de conduzir, orientar e resguardar a criança e o adolescente para que tornem-se sexualmente ativos somente quando estiverem efetivamente aptos.