Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 13/10/2019
“E as meninas das barrigas tiram os filhos, calam seus meninos, selam seus destinos.” O trecho da música mais que um mero poema, discorre acerca das condições as quais são expostas as adolescentes que se tornam mães. Nesse sentido, a gravidez na adolescência consiste em um problema de saúde pública que ocorre por meio da falta de conhecimento sobre sexualidade e da exposição às relações familiares abusivas. Logo, ações para redução desse problema são um desafio para a sociedade brasileira.
Em primeira análise, a educação sexual foi um tema bastante comentado nas eleições presidenciais de 2018, em função da polêmica do “kit gay”. Embora o suposto kit não exista, o debate demonstrou que ainda há grande tabu acerca da educação sexual na sociedade brasileira. Pois, essa prefere que a temática seja discutida e trabalhada pela família com o intuito de evitar a doutrinação das crianças e jovens por parte dos educadores. Contudo, segundo estudos realizados pela UNESCO entre os anos de 2008 e 2016, países que adotam o ensino da educação sexual de modo compulsório, têm índices de gravidez adolescente menores em relação àqueles que não aplicam essa medida. A organização também divulgou instruções para o desenvolvimento desses programas em seu guia internacional sobre educação sexual. Assim, a divulgação de informações é fundamental aos adolescentes.
Ademais, o filme Preciosa - uma história de esperança, retrata a vida de uma adolescente de 16 anos que vivencia duas gestações por ser violentada pelo pai. Paralelamente, essa realidade ocorre no país, visto que, adolescentes inseridas em relações abusivas no ambiente familiar são expostas ao risco de gravidez precoce. Segundo pesquisa conduzida por profissionais do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e de Promoção da Saúde, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 4.262 casos de estupro em adolescentes que resultaram em gestações e nascimentos no período entre 2011 e 2016. Portanto, é evidente a necessidade do acesso à informações em outros ambientes como, por exemplo, a escola para que essas jovens possam identificar e saber como agir em situações de abuso.
Para que as meninas tenham melhores possibilidades de vida, é fundamental que a educação sexual seja implementada nas escolas. Portanto, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde deve fortalecer o Programa Saúde na Escola promovendo a divulgação do conteúdo por meio da interdisciplinaridade. Além disso, os profissionais da saúde inseridos no ambiente escolar podem, em conjunto com professores, desenvolver feiras com o intuito de informar toda a comunidade escolar e possibilitar a redução desse problema de saúde pública.