Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/10/2019

A obra “O Cortiço”,de Aluísio Azevedo,retrata a problemática da gravidez na adolescência ao trazer às suas páginas a menina Florinda,de baixa renda e grávida aos 15 anos.Contemporaneamente, a vida da personagem parece ecoar com precisão nas dificuldades cotidianas sofridas pelas mães juvenis no país,como o abandono e o preconceito.Com efeito,superar esse panorama mostra-se um deflagrado desafio político,e só será possível a partir de ações governamentais baseadas na maior informação sobre o assunto nas escolas e na garantia de acesso aos métodos contraceptivos para os jovens.

Em uma primeira análise,a intensificação da gravidez na adolescência se relaciona indubitavelmente à escassez do debate sobre o tema.Isso ocorre porque a educação sexual ainda é um tabu para muitas famílias,as quais não tratam do tópico em seus lares,seja por questão religiosa,seja por entrave moral, o que ocasiona incremento no número de adolescentes desinformadas quanto às relações sexuais e,consequentemente,grávidas.Nessa perspectiva,o processo sociológico apresentado possui relação com a teoria dos “Fatos Sociais”,de Émile Durkheim,que compreendia que os padrões de comportamento são determinados pela sociedade em que se vive. Dessa forma, cabe às unidades educacionais informar e orientar os estudantes sobre a importância da responsabilidade sexual, haja vista diversos pais estabelecerem um modelo de conduta inegociável para seus filhos.

Ademais,em segundo plano,o conhecimento acerca dos procedimentos anticoncepcionais é imprescindível para a redução do número de adolescentes grávidas brasileiras. Esse fato decorre da ineficácia estatal na divulgação e distribuição de tais recursos para a população mais jovem, visto que a gravidez na adolescência é temática  constante nas camadas desfavorecidas do território,cujas demandas são nitidamente negligenciadas pelo Poder Público. Nesse sentido,Simon Schwartzman, em “Bases do Autoritarismo Brasileiro” aponta que os interesses normativos do Estado frequentemente existem para satisfazer as demandas subjetivas dos grupos de poder, e não para suprir as necessidades do corpo social, realidade inerente ao quadro de gestações precoces no Brasil.

Portanto,o engajamento educacional e a melhoria na obtenção de técnicas contraceptivas pelos adolescentes são atitudes possíveis para a atenuação do cenário de gravidez na adolescência.Desse modo,o Poder Executivo Federal deve fornecer esclarecimento sobre o conceito para os jovens, por meio de disciplinas e dinâmicas de grupo que constem na grade curricular das escolas nacionais,as quais contem com a participação  de psicólogos e outros profissionais da saúde especializados,com o intuito de sanar qualquer dúvida relacionada à vida sexual. Somente a partir de medidas como essa, histórias como a de Florinda não serão mais empíricas para as adolescentes brasileiras.