Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 07/10/2019

No filme “juno”, a protagonista é uma adolescente que descobre estar grávida e, por se sentir imatura e despreparada para ser mãe, decide procurar pais adotivos para seu filho. Na atual conjuntura social brasileira, a gravidez na adolescência é uma questão pertinente, uma vez que, no país, os índices são elevados. Logo, é imperioso refletir sobre os fatores que fomentam tais índices, além de ações governamentais que possam atenuar essa problemática.

Em primeira análise, a visão patriarcal e machista ainda presente na sociedade contribui para o aumento das taxas de gravidez na adolescência. Nesse sentido, apesar de as mulheres contemporâneas disporem de inúmeros direitos que, graças aos movimentos sociais no século XX, puderam ser conquistados, a gravidez ainda é percebida como uma responsabilidade essencialmente feminina. Dessa forma, na adolescência, a menina gestante sofre todos os preconceitos e julgamentos, enquanto os meninos, que deveriam ser igualmente culpabilizados, são isentos dessa culpa. Esse comportamento social induz a impunidade nos jovens, que muitas vezes pressionam as parceiras a se relacionarem sem o uso de preservativos, estimulando o risco não só de gravidez como também de doenças sexualmente transmissíveis.

Somado a isso, a falta de diálogo e troca de informações entre pais e filhos  também impulsiona o problema. Segundo o IBGE, a taxa de adolescentes grávidas com alto grau de escolaridade é notoriamente menor em comparação àquelas com baixo nível de estudos. Sob esse viés, infere-se que quanto maior o acesso à informações confiáveis, menor a propensão das jovens engravidarem. Entretanto, não deve ser depender apenas das escolas a instrução sexual dos indivíduos, mas também dos pais, que precisam orientar da forma mais natural possível, não com o propósito de estimulá-los, mas sim de conscientizá-los. Dessa forma, além de oferecer maior vínculo de confiança com os filhos, o diálogo reduz o tabu sobre a sexualidade na adolescência e, por conseguinte, a chance de irresponsabilidade dos jovens.

Evidencia-se, portanto, que ações governamentais são indispensáveis para mitigar o exposto. Primeiramente, é importante que o Estado divulgue a criação, em 2019, da semana da prevenção à gravidez na adolescência, por meio das escolas e da mídia, com o intuito de promover uma maior adesão da comunidade jovem ao evento. Além disso, é crucial que o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas brasileiras, crie projetos de conscientização com enfoque no sexo masculino, que muitas vezes não se sente parte de tal tema, a fim de que esse pensamento patriarcal seja diminuído e a maturidade seja alcançada pelos jovens brasileiros.