Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 10/10/2019

Muitos são os dramas enfrentados por meninas que carregam consigo uma gravidez precoce. Alguns deles são abordados no filme “Os garotos da minha vida”, no qual a protagonista se vê grávida em seus infantis 15 anos, sendo por isso afastada de suas aspirações escolares e julgada pelos próprios familiares e amigos, impelida ao lar desestruturado com um marido dependente químico. Tal obra da ficção se mostra comparável à realidade de muitas garotas brasileiras, sobretudo devido à falta de acolhimento e orientação por parte da família no tocante à sexualidade de meninos e meninas, a qual é é delegada à influências midiáticas pouco educativas. Tendo em vista o impacto da questão, cabe a intervenção do Estado a fim de garantir aos jovens segurança e dignidade.                                           Em primeiro lugar, é necessário analisar as lacunas do relacionamento infrafamiliar. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o Habitus primário do jovem se refere à aprendizagem de sua primeira socialização, ou seja, com a família. Contudo, a sociedade brasileira é, em geral, conservadora em nível tal que os pais se negam a sequer conversar com os filhos acerca das responsabilidades que devem ter com seus corpos, o que piora no caso das moças, que são as que mais sofrem com uma gravidez indesejada, tanto devido aos julgamentos quanto à responsabilidade da criação; ainda mais porque, por vezes, o pai do bebê se isenta e nem mesmo assume a criança, uma displicência também decorrente da falta de orientação familiar. Assim, vê-se a necessidade de maior estímulo ao diálogo.

Todavia, essa situação advém do fato de os próprios pais, por vezes, não terem conhecimento da sexualidade em seus fatores biológicos. Por isso, é comum que a interpretem como apenas “safadeza” dos adolescentes. Na verdade, essa é a fase do desenvolvimento em que a ação hormonal torna-se mais ativa, o que se soma ao contexto de descobertas em relação à corporeidade e relacionamentos. Assim, sem uma orientação adequada, o comportamento juvenil é passado à influência do conteúdo adulto que se acessa na internet, cujas ideias não refletem a realidade nem informam sobre a prevenção à doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

Portanto, a gravidez na adolescência está atrelada à falta de conhecimento, tanto por por parte dos jovens quanto de seus pais; logo, impera a necessidade de ações de conscientização por parte do Poder Público. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura deve garantir que em todas as escolas a partir do sexto ano do ensino fundamental sejam ministradas aulas que tratem da educação sexual dos alunos, a fim de que a informação não falte aos mesmos. Paralelamente, os professores devem, durante reuniões com os responsáveis, elucidar a importância de se manter um diálogo com os filhos sobre o tema. Dessa forma, espera-se promover bem-estar e segurança para os jovens brasileiros.