Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 09/10/2019

De acordo com dados da OMS, o Brasil possui o maior índice de latino americano de gestações durante a adolescência. O relatório da organização indica cerca de 68 bebês nascidos a cada mil meninas cujas idades estão entre 15 e 19 anos. Por meio disso, pode-se afirmar que, devido a uma herança histórica de idealização da mulher, associada à ineficácia de políticas educativas estatais, esse cenário necessita de maior atenção governamental em virtude das suas consequências preocupantes.

Destaca-se, de início, que, durante a colonização portuguesa, o cristianismo foi estabelecido como a religião oficial do Brasil. Com a proclamação da República, o Estado foi constitucionalmente laicizado. Entretanto, apesar disto, a influência dos ensinamentos cristãos ainda é muito forte no comportamento social atual. No contexto em questão, destaca-se a sacralização da virgindade, pois a visão do sexo como um ato imoral permanece até hoje. Mas, vale ressaltar que, em uma sociedade machista, a cobrança da valorização da virgindade cai sobre as mulheres. Por isso, no ideário brasileiro a imagem feminina é idealizada e, assim, discutir o sexo tornou-se um tabu, pois parte da ideia de que isto pode alterar o suposto estado de pureza da mulher. Desse modo, o poder público, sob a influência desta percepção, falha em providenciar uma educação sexual eficaz nas escolas, cujo objetivo seria instruir a respeito do sexo seguro e promover, consequentemente, a integridade física e emocional dos alunos.

Em decorrência do cenário supracitado, há uma série de problemas sociais. Cita-se, de início, que, conforme a ONU, a gravidez precoce é uma das principais causas de morte e de evasão escolar entre adolescentes no Brasil, o que demonstra, respectivamente, o efeito extenuante de uma gestação em um corpo ainda em desenvolvimento e a difícil conciliação entre estudar e cuidar de um recém-nascido. Devido a este fator, o futuro dessas meninas no mercado de trabalho é prejudicada pela falta de qualificação. Além disso, a falta de um diálogo sobre uma vida sexual emocionalmente saudável, caracterizada pelo consentimento mútuo, muitas meninas são vítimas de abuso por não saberem identificar a violência, muitas vezes sutil, em alguns comportamentos físicos e verbais. Assim, prejuízos à saúde mental são possíveis, como a manifestação da depressão, devido aos traumas emocionais.

Portanto, ações governamentais são necessárias. O MEC, junto aos poderes locais, deve fornecer uma educação sexual de qualidade à população adolescente. Para isso, deve-se criar equipes multiprofissionais, compostas por médicos, psicólogos e pedagogos, cuja missão é ministrar palestras anuais em todas as escolas municipais, sejam elas públicas ou privadas. Para potencializar o interesse dos alunos, o ministério também deve investir em uma equipe publicitária qualificada, a qual irá elaborar os materiais dessas palestras, cuja linguagem, visual e verbal, é mais atrativa ao público alvo.