Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 10/10/2019

O filme “Juno” retrata a trajetória de uma adolescente de 16 anos que enfrenta uma gravidez não planejada após uma única relação sexual com um amigo de escola. Diante de diversos acontecimentos, Juno questiona-se cada vez mais e se vê sempre despreparada para receber aquela criança. Paralelamente, essa é uma realidade dos jovens brasilienses, já que estão sempre desinformados sobre sexo. Isso se dá por causa de uma sociedade dogmática e pela falta de educação sexual nas escolas.

Como herança de um passado histórico marcado pelas imposições dos dogmas pela Igreja Católica, o sexo ainda é um tabu na sociedade brasileira. Por isso, pais e mães se sentem desconfortáveis para conversar sobre esse assunto com seus filhos e acabam evitando essa situação. Assim, os jovens passam a ficar sem informação ou buscam em qualquer site na internet e não são situados sobre os aspectos negativos do sexo, seus riscos e responsabilidades. Por conseguinte, há a gravidez na adolescência que, além de mexer com os aspectos de saúde, deixa o emocional dos indivíduos jovens abalados. Tal fato pode ser notado quando dados disponibilizados pela OMS, confirmam que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes. Nessa perspectiva, essa falta de acesso à informações deve ser combatida.

Outrossim, presencia-se um forte poder de influência da sociedade como impulsionadora do problema. Segundo Cláudia Bonfim, doutora e pesquisadora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para que a educação sexual seja uma realidade nas escolas brasileiras, é preciso superar a resistência da sociedade e a falta de preparo dos educadores. Nesse sentido, além de precisar acabar com uma sociedade dogmática, precisa-se, também, reeducar os professores sobre dimensões psicológicas e sociais que envolvem o tema. Consoante Paulo Freire, educador brasileiro, o modelo de educação usado no país é falho, uma vez que o educador é o centro do processo e detentor de todo conhecimento o despejando sobre os alunos. Dessa forma, ao invés de colaborarem para uma melhor formação educacional, eles apenas confundem as crianças.

Portanto, medidas são necessárias para combater o quadro atual. Para que seja finalizado o problema da gravidez na adolescência por conta da falta de informação, urge que o Ministério da Educação em parceria com as escolas, promovam, por meio de palestras, a união de famílias e alunos para saberem cada vez mais sobre o tema. Ademais, o governo deve implantar nas faculdades de licenciatura disciplinas sobre o assunto. Assim, o sexo não será mais um tabu e os adolescentes viverão suas vidas sem dúvidas.