Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 17/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para a redução da gravidez na adolescência apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da educação de base precária, quanto da desigualdade social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é fundamental pontuar que os desafios para a redução da gravidez na adolescência deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de atuação das autoridades. Dessa forma, a educação básica precária acaba gerando indivíduos despreparados em relação a educação sexual, aumentando a busca de crianças e adolescentes por um conhecimento rápido e desorientado, cometendo o ato sexual sem proteção, consequentemente ocorrendo a gravidez precoce. Desse modo, é necessária a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é importante ressaltar que a desigualdade social impulsiona o problema. De acordo com o Ministério da Saúde, entre os anos de 2005 a 2015, mais de 46% dos nascidos vivos de mães na faixa de 10 a 19 anos vivem nas regiões norte e nordeste do Brasil. Partindo desse pressuposto, a gravidez precoce acontece na maioria das vezes em regiões com grande desigualdade social, em localidades com pouca educação e saúde pública, atingindo às famílias de baixa renda que não conseguem orientar as crianças e adolescentes sobre os atos sexuais. Desse modo, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a desigualdade social contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Fica claro, portanto, que a educação de base precária e a desigualdade social são impulsionadores dos desafios para a redução da gravidez na adolescência. É necessário que o Ministério da Educação invista em uma educação de base voltada para a formação de indivíduos preparados e orientados sobre as atividades sexuais e suas consequências, por meio de debates e palestras, com o auxílio de profissionais especializados na área e materiais didáticos específicos. Como também, ONG’s juntamente com as escolas devem fazer campanhas para orientar as famílias que sofrem com a desigualdade social, através de visitas domiciliares, com professores e psicólogos. Garantindo assim, a aproximação da Utopia de More.