Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 20/10/2019

A obra “Utopia” do filósofo inglês São Thomas more, retrata a sociedade perfeita, no qual meio social é desprendido de conflitos, gerando a harmonia. Fora da ficção, constata-se que isso distancia-se significativamente do Brasil hodierno, uma vez que a gravidez na adolescência impede a formação de um corpo social harmônico, seja pela omissão do Estado na propagação de políticas de combate ao caos, seja pela falta de debate no âmbito escolar.

A priori, é fato que a ausência do arranjo estatal na promoção de políticas preventivas e educacionais corroboram para o problema. Consoante a isso, o filósofo John Locke afirma que esse impasse externa uma transgressão ao “contrato social”, uma vez que o Poder Público não garante efetivamente os direitos básicos à população. Nesse viés, percebe-se a falta de campanhas de educação sexual voltadas para esse público alvo relacionadas ao uso dos preservativos, bem como é fato que ainda é insuficiente o número de camisinhas nos postos e hospitais, inviabilizando, assim, a diminuição dos casos de gravidez precoce. Além disso, é notório que o Estado apresenta poucas estratégias para permitir a volta das jovens aos colégios, ocasionando a evasão escolar e ampliando o número de pessoas que nem trabalham nem estudam.

Outrossim, nota-se ainda que a falta de diálogo nos centros educacionais também fomenta o caos. Isso acontece porque as escolas são omissas na divulgação de aulas e palestras sobre educação sexual que abordem sobre os métodos contraceptivos e as possíveis doenças da prática do sexo inseguro, e, principalmente, sobre os malefícios da gravidez entre os menores de idade. A prova disso são os dados da Organização dos Estados Ibero-Americanos, no qual afirmam que 18,1% dos casos de evasão escolar relaciona-se com a gravidez na adolescência. Logo, nota-se a urgência para mitigar tal problema.

É, evidente, portanto, que o contrato social de John Locke seja respeitado e propagado no país. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Saúde, devem lançar campanhas tanto em ambientes hospitalares como midiáticos sobre os malefícios da gravidez precoce e da evasão escolar, por meio de propagandas nas TVs e rádios, bem como a ampliação da distribuição de preservativos em todo país, a fim de diminuir gradativamente esse impasse no Brasil. Ademais, as escolas podem tornar obrigatório na grade curricular dos colégios debates sobre essa gravidez e seus problemas na sociedade, por intermédio de aulas e palestras que formem cidadãos mais morais e conscientes.