Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 26/10/2019
Em 2018, a novela “Malhação- Viva a diferença” retratou a história de Keyla, uma adolescente grávida, que precisou da ajuda de seu pai e do melhor amigo para cuidar da criança, pois havia perdido o contato com o pai do bebê. O enredo, apesar de ser uma ficção, retrata um cenário que persiste no país e reflete na juventude brasileira, uma vez que os casos de gravidez na adolescência, apesar de terem diminuído, ainda continuam altos. seja em decorrência da falta de diálogo nas instituições sociais, ou pela inabilidade estatal em lidar com a problemática. Desse modo, convém analisar esse cenário e suas possíveis consequências com o intuito de buscar soluções para o problema.
Em primeiro plano, é importante destacar a influência da família e a inércia escolar na persistência da problemática. Sob essa ótica, consoante a Teoria da Tábula Rasa de John Locke, o ser humano é como uma folha em branco preenchida por experiências e influências. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se levar em consideração que o aumento de casos de gravidez na adolescência tem suas raízes no cotidiano das famílias, haja vista que esse assunto tornou-se um tabu entre pais e filhos, não havendo diálogo sobre os diversos tipos de prevenção e contraceptivos. Ademais, as escolas, também, acabam sendo omissas visto que grande parte não traz para dentro das instituições um ensino voltado para educação sexual, evidenciando a necessidade de um trabalho em conjunto entre famílias e escola para desconstruir esse cenário.
Outrossim, vale ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais como promotor do problema. Nessas perspectiva, segundo o pensador Thomas Hobbes é dever do Estado manter a coesão e harmonia social, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nessa sentido, de acordo o Ministério da Saúde, a natalidade entre jovens é maior nas zonas rurais e nas periferias e prevalece entre famílias de baixa renda. Tal quadro demonstra que a desigualdade social é o principal fator para manutenção da incoerência e desarmonia social, contrariando o pensamento de Hobbes.
Diante dos fatos supracitados, para solução do problema urge uma parceria entre governo e instituições de ensino, no qual estas serão responsáveis por implementar um ensino sobre educação sexual, por meio de palestras e debates incluindo pais, alunos e profissionais da área, como médicos e psicólogos, a fim de nortear o processo de aprender sobre aspectos cognitivos, físicos, emocionais e sociais da sexualidade. Somado a isso, o Governo Federal mediante o Ministério da Saúde deve oferecer insumos contraceptivos e serviços de saúde com qualidade, confiabilidade, e , principalmente, sigilo para os adolescentes. Assim, histórias como a retratada em Malhação ficarão apenas nas telas e será garantido um futuro protegido à essas meninas.