Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 24/10/2019
Na série norte-americana “Sex Education”, é retratado o cotidiano da adolescente problemática Maeve, que é expulsa de casa por seu pai por ter engravidado precocemente de seu namorado. Analogamente, fora da ficção, tem-se o alto índice de gravidez na adolescência como reflexo de um país não desenvolvido. Isso ocorre devido à fraca estruturação pública educacional, bem como pela temática ser tratada em casa como tabu.
Diante desse quadro, tem-se a baixa estruturação pública no campo educacional como um dos colaboradores para extensão da problemática, uma vez que o Sistema Público não dispõe de artifícios capazes de auxiliar e orientar os jovens sobre uma vida sexual planejada e saudável. Essa questão pode ser comprovada por pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo (USP), as quais afirmam que apenas 26 % das escolas abordam em sala de aula a disciplina de Educação Sexual. Desse modo, fica nítido o descaso dos órgãos públicos com os estudantes da rede pública de ensino, haja vista que, por não abordarem o tema com os estudantes e fornecerem a esses atendimento especializado com psicólogos, corroboram o aumento de juvenis desinformados do assunto e , por conseguinte, tendenciosos a uma vida sexual não segura, bem como com gravidez não planejada.
Outrossim, tem-se o tema tratado como tabu no campo familiar como outro fator preponderante para o aumento no índice de grávidas precoces, já que, por não haver diálogo entre os responsáveis e seus filhos, os menores não tem com quem relatar sobre as mudanças durante a puberdade e tirar dúvidas quantos aos métodos contraceptivos. Esse fato se correlaciona com a assertiva do engajado filósofo em questões sociais, Zygmunt Bauman, o qual afirmava que, na modernidade, as relações parentais estão cada vez mais líquidas,ou seja fracas e menos interpessoais. Dessa forma, fica evidente a importância do diálogo familiar sobre o tema para conseguir auxiliar os jovens no planejamento da sua vida. Todavia, o elo familiar , muitas vezes, não aceita a gravidez da menor e a expulsa de casa, frustando e a deixando propícia à problemas psicológicos, como a depressão.
Portanto, para conseguir reduzir o índice de jovens precoces no Brasil, é necessário que o Ministério da Educação elabore programas que implementem na BNCC a disciplina de Educação Sexual como obrigatória, bem como promovam rodas de conversas com toda comunidade escolar e seus pais para abordar a importância do diálogo sobre sexualidade no campo familiar e ofertem ao corpo discente profissionais da área, como psicólogos. Esses programas serão realizadas por meio de parcerias com instituições privadas, como bancos e multinacionais, com o fito de fornecer um auxílio tanto no campo educacional, quanto no familiar.