Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 28/10/2019
Cultura e tecnologia
A adolescência é uma fase de experiências e descobertas e é nessa época da vida que se inicia o amadurecimento sexual. Portanto, as mulheres se tornam férteis e se tornam capazes de gerar filhos. Todavia, a gestação na adolescência tende a se tornar um problema social, pois os jovens, muitas vezes, são obrigados a abandonar os estudos e acabam tendo o seu futuro comprometido. Logo, é fundamental combater as duas principais causas desse problema: a perduração de uma visão de mundo retrógrada e a falta de conhecimento e de conscientização frente às novas tecnologias.
Nesse contexto, o matrimônio na adolescência ocorre por questões socioculturais. Segundo o sociólogo Jurgen Habermas, as instituições sociais, responsáveis pela regulação social, são controladas por elites econômicas vitoriosas por conta de processos histórico-sociais. No Brasil, tal classe dominante foi, por séculos, extremamente patriarcal e machista, e impôs à sociedade uma cultura de submissão da mulher ao homem. Assim, muitas famílias veem no casamento uma forma de garantir o futuro financeiro da filha, o que faz com que, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 30% das meninas casem antes dos 18 anos e, então, engravidem.
Outrossim, a tecnologia contribui para agravar a situação. De acordo com Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, as atuais relações entre os indivíduos são fluidas e buscam um prazer efêmero. Para ilustrar, pode-se citar o aplicativo Tinder, o qual possibilita que os jovens tenham mais facilidade em iniciar sua vida sexual de maneira precoce e por meio de relações casuais. No entanto, o Poder Público não tem acompanhado essa mudança, pois faltam campanhas de conscientização acerca da importância do uso de preservativos para evitar DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e a maternidade precoce.
Destarte, é necessário que o Estado aja em duas frentes. Por um lado, o Ministério da Educação, em parceria com a ONG Nova Mulher, que realiza trabalhos de valorização do sexo feminino na sociedade, deve criar e distribuir em todas as escolas públicas do país uma cartilha de empoderamento feminino que promoverá debates, palestras e feiras sobre a importância da independência feminina, de modo a desconstruir a visão de mundo machista dominante. Por outro lado, o Ministério da Saúde deve criar, em seu canal no Youtube, uma série de vídeos sobre a importância da utilização de preservativos, a qual deverá ser divulgada em propagandas na televisão e nas redes sociais, para que a juventude tenha mais conhecimento sobre o assunto e seja conscientizada. Dessa forma, a gravidez na adolescência irá diminuir e deixará de ser um problema social.