Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/11/2019
O filme “Preciosa” retrata a história de uma adolescente que sofre com a gravidez precoce, concebida em um cenário de grande vulnerabilidade social. Esse é um retrato verossímil da realidade de muitas famílias brasileiras, principalmente as de classe baixa e com reduzido acesso à educação formal. Nesse contexto, torna-se evidente que a falta de acesso à informação e a instabilidade do núcleo familiar contribuem para esse alarmante quadro de saúde pública.
Primordialmente, cabe ressaltar que desde o advento da Revolução Industrial e as modificações sociais por ela causadas, as figuras parentais não têm dedicado o tempo anteriormente despendido à família. Os genitores, muitas vezes sobrecarregados com demandas de trabalho e sustento do lar, não desempenham sua função com a presença necessária ao adequado desenvolvimento dos filhos. Além disso, a diminuição da sociabilidade entre famílias e comunidades, bem como a tendência de fechamento das famílias em seu próprio núcleo, causou o isolamento do homem pós-moderno, o que resultou em crianças e adolescentes sendo mais influenciadas por seus pares, pela mídia e por redes sociais. Há também o fenômeno de “terceirização” da educação dos filhos pelos pais, os quais muitas vezes se omitem de um papel mais diretivo na educação e o delegam à escola, por exemplo.
Em segundo plano, observa-se que o fato de a sexualidade ter sido tratada como tabu durante muito tempo - o que ainda persiste, de certo modo, nos dias atuais-, contribui para o agravamento da situação. Com efeito, tal fato é decorrente da redução desse tipo de debate na esfera social. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), quanto mais informações o adolescente tem sobre o tema, mais tarde tende a iniciar sua vida sexual. Assim, nota-se a importância de ampliar o debate sobre o tema.
Diante de tal cenário, verifica-se a importância da educação, dos serviços de saúde e do apoio familiar para que este quadro seja revertido. Sendo assim, fica clara a necessidade de o MEC promover ações para difundir esse tema nas escolas, contando com palestras com especialistas em sexualidade juvenil nas escolas de ensino fundamental e médio, bem como debates junto às famílias dos jovens sobre a temática, para que o tabu sobre sexualidade possa ser quebrado. Além disso, é fundamental que o Ministério da Saúde amplie nas Unidades Básicas de Saúde as campanhas de planejamento familiar e divulgação dos métodos anticonceptivos que são oferecidos. Desta forma, o Brasil poderá prevenir a ocorrência de situações como a da jovem do filme “Preciosa”.