Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 29/10/2019

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2015, 574 mil crianças nasceram de mães entre os 10 e os 19 anos de idade. Nesse sentido, é evidente o fato de a gravidez na adolescência ser um desafio para a saúde pública no país, além de que outras problemáticas sociais são geradas, como a evasão escolar. Ademais, é importante compreender que as causas que motivam a gravidez precoce estão associadas não só a falta da educação sexual nas escolas e nas famílias, mas também a ausência de ações governamentais eficazes.

Em princípio, é substancial discorrer sobre as consequências que tornam a gravidez na adolescência uma grave problemática social. Por certo, muitas jovens descobrem a gravidez e não procuram um posto de saúde para iniciar adequadamente seu pré-natal, fase determinante para o desenvolvimento fisiológico do bebê. Tal fato, geralmente ocorre devido a sensação de abandono, visto que muitas jovens preferem não contar a ninguém sobre a gravidez devido ao medo de preconceitos e julgamentos da sociedade. Além disso, a gravidez precoce se torna um motivo para a evasão escolar na medida em que esses preconceitos estão presentes no ambiente educacional, tornando-se fatores de repulsão. Esse fato contribui para a vulnerabilidade econômica de muitas jovens que saem da escola e entram no mercado de trabalho com poucas perspectivas.

Em segundo lugar, cabe ressaltar o papel das instituições brasileiras na manutenção desse cenário infeliz. Assim, observa-se que a ausência de debates e discussões acerca da educação sexual nos âmbitos escolares e familiares, contribui para a desinformação generalizada sobre essa temática, por vezes vista como um tabu em nossa sociedade. Assim, vale discorrer sobre o pensamento do criador da psicanálise Sigmund Freud que na obra “Totem e Tabu”, compreende o tabu como sendo proibições destituídas de motivos que acabam se impondo em diferentes culturas. Sob tal ótica, a gravidez precoce passa a ser entendida como algum tipo de violação as normas vigentes. Logo, é fundamental a criação de políticas públicas que possam desfazer essa compreensão equivocada da sociedade.

Portanto, é função do Estado intervir de forma direta na conscientização da população, objetivando a construção de uma sociedade mais esclarecia e menos restritiva. Sendo assim, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em parceria com a mídia, promover ações publicitárias que explicitem, de forma geral, o papel da sociedade. Isto é, deve-se buscar superar os preconceitos e estimular o diálogo acerca da problemática, seja no âmbito escolar ou familiar. Ademais, tais peças publicitárias devem contar com a participação de jovens influenciadores digitais, a fim de alcançar-se resultados mais objetivos e com maior abrangência.