Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 31/10/2019
Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade é diametralmente oposto ao que prega o autor, uma vez que as ações governamentais no combate à gravidez na adolescência são insuficientes para mitigar os problemas causados, isso constitui uma barreira, a qual dificulta a concretização das idéias de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto das consequências fisiológicas quanto das sociais da gravidez precoce. Portanto, é necessária a discussão acerca desses aspectos a fim de manter o pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que as graves consequências da gravidez na adolescência deriva m da baixa atuação do setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam esse cenário. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por manter o bem-estar da sociedade. Porém, isso não acontece no Brasil. Pois, devido à falta de atuação das autoridades, meninas que engravidam na adolescência enfrentam várias consequências que impactam negativamente aspectos fisiológicos das suas vida. Essas consequências variam desde o adiamento dos exames pré-natal, ocasionado pela ocultação da gravidez diante da família, até condições psicológicas ligadas à maternidade. Diante disso, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar as consequências sociais como vetores do problema. Já que, segundo a médica pediatra e do Comitê de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Lilian Day Hagel, é frequente que a adolescente abandone os estudos por causa da maternidade. Não obstante, de acordo com o doutor Drauzio Varella, adolescentes pobres têm cinco vezes mais risco de engravidar que as mais ricas. Tudo isso contribui para a perpetuação desse quadro deletério, através um fenômeno denominado ciclo da pobreza, que se caracteriza justamente pela gravidez precoce mais comum entre os mais pobres e pelo consequente abandono dos estudos em razão da maternidade.
Desse modo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação será utilizado para promover palestras focadas nas consequências da gravidez antes dos 18 anos, de modo a conscientizar tanto as meninas quanto os meninos. Não obstante, o MEC deve ainda normatizar a inclusão do tema em discussões dentro da sala de aula. Desse modo, aternuar-se á, em médio e longo prazo, os efeitos nocivos da gravidez na adolescência e a coletividade alcançará a Utopia de More.