Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/10/2019

No filme “Preciosa”, a protagonista sofre com a maternidade precoce, concebida em um cenário de extrema vulnerabilidade social. Assim como na ficção, no Brasil, as jovens gestantes enfrentam a difícil realidade de serem mães muito cedo, uma quadro que é mais frequente em famílias de baixa renda e entre pessoas que sofrem com a dificuldade de acesso à educação.

Primeiramente, é importante observar que em 2018, o relatório da OMS constatou que a gravidez precoce afeta principalmente as populações de baixa renda, que têm menos oportunidades e menos acesso às informações que as demais.  Tal dado pode ser relacionado ao fato de muitos jovens terem baixa instrução, pouca de perspectiva de vida e  ausência de planejamento familiar. Outrossim, meninas que engravidam cedo sofrerão consequências a curto elongo prazo, como, por exemplo, abandonar o estudos antes concluir a educação básica e, por conta disso, não adquirir qualificação profissional para ingressarem no mercado de trabalho e, o resultado será a continuação de um ciclo de pobreza em uma sociedade injusta. Assim, é indubitável que este problema  que está relacionado a uma parte da sociedade possui baixas condições socioeconômicas.

Ademais, a escola frequentemente tem se isenta do papel de informar os alunos, desde cedo, sobre os cuidados com a sexualidade. Tal constatação é corroborada pelo fato de que o Ministério da Saúde distribui gratuitamente vários métodos contraceptivos para quem quer evitar uma gravidez indesejada, e mesmo assim nem todos têm acesso a esse tipo de conhecimento. E, como resultado dessa problemática, o país aparece com  índices preocupantes nas pesquisas internacionais, como os dados da UNICEF de 2011, em que o Brasil ocupava o quarto lugar em números absolutos de mulheres casadas antes dos 15 anos, fato que confirma o problema em questão.

Portanto, para mitigar o imbróglio, a escola deve garantir que o acesso de adolescentes e jovens a uma disciplina voltada para a educação sexual com a proposta que o MEC inclua na grade curricular conteúdos relacionados à saúde e trabalhe em mais ações que promovam os direitos, a autonomia e o empoderamento frente aos desafios da vida moderna, para que se possa formar cidadãos mais conscientes e, assim,  reduzir os indices de gravidezes não planejadas no Brasil. Além disso, a mídia deve difundir de forma mais expressiva os meios de prevenir uma gravidez indesejada por meio de campanhas na televisão e nos rádios que divulgarão como adquirir preservativos e contraceptivos de forma gratuita pelo SUS. Desse modo, o Brasil não terá tantos jovens de até 19 anos que enfrentem o mesmo problema que a protagonista do filme “Preciosa”.