Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/10/2019

No filme “Preciosa”, a protagonista sofre com a gravidez precoce em meio a um cenário de elevada vulnerabilidade social. De maneira análoga à ficção, hoje, no Brasil, a gravidez na adolescência, segundo a OMS, lamentavelmente, se faz presente em números superiores à média mundial. Isso se deve à falta de instrução escolar adequada e ao patriarcalismo oriundo do âmago de um Brasil Colonial.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar a inércia estatal, no que concerne à promoção de melhorias educacionais no país, como promotora desse imbróglio. Conforme a OMS, para as adolescentes com baixa escolaridade a chance de uma gestação ainda na mocidade é quadruplicada. Diante dessa premissa cabe saber, também, que de acordo com o IBGE, infelizmente, cerca de 52% da população não possui o ensino médio completo. Logo, dados esses que convergem e resultam na problemática em questão.

Outrossim, é imperativo ressaltar o estigma machista pré-estabelecido nos tempos coloniais, que perdura até hodiernamente, como agravante desse quadro deletério. Consoante ao IBGE, 48% das jovens afirmam já ter cedido a pressão masculina quanto ao não uso de preservativos. Assim sendo, as relações sexuais se tornam passíveis de resultar em ISTs e, ou, gestações indesejadas, o que se confirma pelo registro de 500 mil parturientes jovens ao ano pelo Ministério da Saúde. Portanto, é necessário empoderar as mulheres quanto à suas vontades e escolhas desde o período escolar.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para a redução da gravidez na adolescência. A fim de garantir a saúde das jovens brasileiras e mitigar o número de gestações precoces indesejadas, cabe ao MEC promover, por meio de verba estatal, a melhoria da infraestrutura escolar nacional e a capacitação de profissionais que visem ministrar aulas acerca de uma vida sexual ativa e orientar os jovens sobre a igualdade de gênero. Só assim, será evitado casos como o da protagonista do filme “Preciosa”.