Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 31/10/2019
Em 2018, a novela “Malhação-Viva a diferença” retratou a história de Keyla, uma adolescente que engravidou precocemente e precisou da ajuda do pai e do melhor amigo para cuidar da criança, pois havia perdido o contato com o pai do bebê. Apesar de ser uma ficção, o enredo retrata um cenário que persiste no país e reflete na juventude brasileira: a gravidez na adolescência. Nesse sentido, embora os dados mostrem uma diminuição nos casos de gravidez, os números ainda continuam altos e constituem um problema decorrente da falta de diálogo nas instituições sociais e da inabilidade governamental em lidar com a problemática, salientando a necessidade de uma análise do panorama em buscar de soluções para o empasse.
Em primeiro plano, é importante destacar a influência da família e a inércia escolar como promotor da problemática. Sob essa ótica, consoante a Teoria da Tábula Rasa de John Locke, o ser humano é como uma folha em branco preenchida por experiências e influências. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se levar em consideração que os altos índices de gravidez na adolescência tem suas raízes no cotidiano das famílias, haja vista que esse assunto tornou-se um tabu entre pais e filhos, havendo pouco diálogo sobre os diversos métodos de prevenção e contraceptivos. Ademais, as escolas, também, acabam sendo omissas, visto que grande parte não traz para dentro da instituição um ensino voltado para educação sexual, evidenciando a necessidade de um trabalho em conjunto entre família e escola para desconstruir esse cenário.
Outrossim, vale ressaltar que a baixa atuação dos setores governamentais dificulta a solução do problema. Nessa perspectiva, segundo o pensador Thomas Hobbes, é dever do Estado manter a coesão e a harmonia social, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Prova disso é que, segundo o Ministério da Saúde, a natalidade entre jovens é maior nas zonas rurais e nas periferias, além de prevalecer entre famílias de baixa renda. Decerto, tal quadro demonstra que a desigualdade social é o principal fator para essa incoerência e desarmonia social, contrariando o pensamento de Hobbes.
Diante dos fatos supracitados, para solução do problema, urge uma parceria entre e instituições de ensino. no qual estas serão responsáveis por implementar um ensino sobre educação sexual, por meio de palestras e debates, incluindo pais, alunos e profissionais da área, como médicos e psicólogos, a fim de nortear o processo de aprender sobre aspectos cognitivos, físicos, emocionais e sociais da sexualidade. Concomitante, o Governo Federal, mediante o Ministério da Saúde, deve oferecer insumos contraceptivos e serviços de saúde com qualidade, confiabilidade e ,principalmente, sigilo para os adolescentes e ,assim, histórias como a de Keylla ficará apenas na ficção.