Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/10/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através desse fragmento do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que a sociedade ao longo do seu desenvolvimento encontra com obstáculos em sua jornada. A ausência de informações sobre a sexualidade, principalmente aos jovens, constata esse pensamento. Ademais, tendo em vista que tal fator tem como consequência a gravidez na adolescência, faz-se necessário uma reflexão e medidas que possam combatê-lo.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que em decorrência de uma sociedade majoritariamente cristã, que considera o sexo como tabu, corroborou para uma maior dificuldade de se tratar do assunto, consequentemente, fomentando a desinformação e até o receio dos jovens de falar sobre esse tema. De acordo com o filosofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente uma liberdade ilusória, já que a própria sociedade restringe informações, apenas por considera-los defesos, provocando a alienação dos jovens sobre a sexualidade.

Por conseguinte, presencia-se o alto índice de gravidez precoce como corolário do problema. Segundo o IBGE, a cada cinco recém-nascidos, três contem mães adolescentes, o que salienta a gravidade desse assunto. O documentário, Meninas: gravidez na adolescência, aborda esse tema, revelando as dificuldades, o preconceito e a insegurança dessas “crianças” que geraram outras crianças. Partindo desse pressuposto, evidencia-se que a falta de informação, de diálogo e de conscientização, são fatores que diferem a supressão do empecilho, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Em primeiro plano, cabe a mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, usufruir de sua influência em campanhas publicitárias, em combate a gravidez na adolescência, visando mais informações e a conscientização de que se precisa conversar sobre esse tema, e a necessidade de eliminação do tabu que o cerca. Destarte, cabe ao Governo, investir em creches infantis, aumentando assim o número de vagas, para que essas meninas possam ter onde deixar seus filhos, mitigando assim, uma das causas da evasão escolar. Pois, talvez assim, essa sociedade possa começar a colocar essa pedra e volte a caminhar em frente.