Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/11/2019
Na série norte-americana " Gray´s Anatomy “, a jovem Betty Nelson se descobre gravida de um traficante de drogas. Durante a gestação, ela foge de casa por medo da repressão, mas ainda assim, dá a luz a seu filho. Não distante da ficção, inúmeras jovens brasileiras também enfrentam a dura realidade de gestar na adolescência. A qual, está diretamente relacionada à fatores como falta da atuação governamental e à vulnerabilidade social.
Precipuamente, é fulcral pontuar que as altas taxas de gravidez infanto-juvenil derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no tocante a criação de mecanismos inibidores dessa problemática. Ainda que importante, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - publicada em 1986 - não define parâmetros para a educação sexual no país. Como reflexo dessa omissão, o acesso à informação e prevenção sexual fica prejudicado, reverberando assim em números cada vez maiores de gestantes infantis e crimes sexuais contra menores.
Ademais, é imperativo ressaltar a vulnerabilidade social como um fator colaborativo para a prevalência desse deletério no âmbito nacional. De acordo com um estudo realizado em 2018 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez precoce ocorre principalmente em populações socioeconomicamente afetadas. Um exemplo nacional, é o estado do Pará, que por fatores como baixa renda e menor nível educacional, apresenta o maior número de grávidas entre 10 e 19 anos do país. Diante do exposto, torna-se fundamental o combate a esses fatores a fim de mitigar a prevalência e aumento dos indicies de gestação infantil.
Em síntese, para que cada vez menos adolescentes tenham que passar pelo drama de Betty, medidas que viabilizem a atenuação desse impasse devem ser efetivadas de forma imediata. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as escolas, reformular as políticas de educação em saúde e planejamento familiar, por meio de recursos advindos da União. Tal mudança, se concentrará na capacitação e aproximação de professores com os alunos a fim de minimizar os níveis de desinformação, apresentando-lhes métodos contraceptivos e preventivos confiáveis. Dessa forma, diminuir-se-á em médio e longo prazo, os efeitos da prevalência da gravidez precoce e suas consequências no Brasil.