Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/11/2019
Apesar de ter ocorrido uma queda nos últimos anos, o número de casos e gravidez na adolescência ainda assusta. Segundo o Sinasc, cerca de 16% dos nascimentos em 2016 foram de mães com idades entre 15 e 19 anos e geralmente são jovens de baixa renda, o que deixa essa situação ainda mais dramática, à medida que como essas adolescentes costumam interromper os estudos, acaba causando um ciclo vicioso de pobreza e maior desigualdade social em nosso país.
Assim como no filme “Preciosa”, no qual a protagonista é abusada pelo pai e engravida duas vezes, infelizmente, não é raro a gravidez ser fruto de abusos, geralmente por homens mais velhos e íntimos das jovens. Além disso, contribuem para os números a falta de educação sobre o tema em casa e nas escolas, e também a falta de perspectivas de vida, pois como é uma situação recorrente no Brasil, muitas vezes a principal referência das meninas são mulheres que engravidaram na adolescência, e o que atrelado a desigualdade social e maternidade compulsória faz as adolescentes pensarem que a única opção de vida delas é serem mães.
Além dos problemas socioeconômicos que costumam ser vivenciados por essas adolescentes, uma vez que elas têm mais dificuldade em identificar a gravidez, ou tem medo de revelar para a família, muitas vezes começam a fazer o acompanhamento obstétrico muito tarde, aumentando os riscos para elas mesmas e também para os bebês, em adição elas têm mais riscos de sofrerem com abortos e partos prematuros. Segundo o Ministério da Saúde, o ideal é que a primeira gravidez ocorra pelo menos 2 anos depois da primeira menstruação, já que meninas abaixo dessa faixa ainda não conseguem suportar bem uma gestação, mas, infelizmente, são relatados casos de meninas a partir de 10 anos que engravidam, e essas adolescentes correm um risco ainda maior complicações.
Certamente a maneira mais efetiva de reduzir os números de casos de gravidez precoce é que as secretárias de saúde criem equipes interdisciplinares nas escolas, compostas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, para passarem informações referentes a educação sexual para os adolescentes e também identificarem casos de abusos sexuais e jovens em maior vulnerabilidade social, logo, que tem mais chances de acabar engravidando, para darem o suporte necessário. Não somente isso, mas é necessário que a própria sociedade perceba que a jovem que engravida na adolescência é vítima da situação, seja da negligência do Estado em ofertar perspectivas de crescimento e emprego, seja de violência sexual ou de ignorância referente aos métodos contraceptivos e elas parem de ser julgadas e criticadas,. Somente assim vamos conseguir diminuir os casos de gravidez na adolescência e melhorar o futuro dessas meninas