Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/11/2019
“Terrível é o passado, ou pior, é o presente”. O fragmento do poema “Saudações aos que vão ficar”, do poeta Millôr Fernandes, é análogo ao cenário atual contemporâneo, uma vez que a falta de conhecimento sobre sexualidade potencializa à problemática de ações para a redução da gravidez na adolescência, destoando uma negligência do caleidoscópio escolar, e ainda uma atuação tímida da família. Dessa forma, eis o devaneio da instrução.
Nessa perspectiva, vale salientar que o universo educacional ainda encontra-se passivo na dessa temática. Conforme já apregoava Pitágoras “eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”, tese essa que evidência à ausência de orientação preventivas no ambiente educacional, sobretudo, para o público menos abastado das periferias, que apresentam maior vulnerabilidade e tendo implicações diretas no desenvolvimento intelectual e psíquico juvenil. De acordo com o G1 - Brasil tem gravidez na adolescência acima da media latino-americana, diz OMS -, dado que vislumbra o descaminho da juventude para com o futuro. Ora, eis o conhecimento que ecoa antinômico.
Ademais, é louvável a institucionalização do novo artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 8-A), com a criação da semana de prevenção da gravidez na adolescência, soa como medida preventiva. Todavia, na obra “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, os brasileiros tem o Estado com pai, atrelando total responsabilidade das questões político-sociais em suas mãos. De modo paralelo às competências do gestor público, urge a necessidade de intervenção familiar, que por vezes, isenta-se de suas responsabilidades de orientar sobre os riscos da não proteção, quanto ao ato sexual precoce, que além de uma gestação indesejada, acarreta a contração de doenças sexualmente transmissíveis e transtornos psicológicos. De fato, torna-se fulcral uma mudança comportamental.
Infere-se, portanto, medidas para plena efetivação das ações para redução de gravidez na adolescência. Logo, o Ministério da Educação deve implementar a disciplina de prevenção sexual no Ensino Médio, por meio de projetos com profissionais da saúde e professores que orientem sobre maneiras seguras sobre tal questão, a fim de minorar essa mazela. Ademais, o discurso midiático pode por intermédio de campanhas publicitárias incentivar o discurso familiar a discorrer sobre a sexualidade e métodos de proteção para suas proles, com fito de instigar a buscar por informações seguras e proteção ao bem-estar saudável. Assim, o presente será de todo prudente.