Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 11/11/2019

Na série norte-americana Game of Thrones, o enredo gira em torno de uma sociedade medieval na qual as dinâmicas e relações interpessoais são norteadas por um jogo de interesses em prol do poder. Desse modo, a produção cinematográfica revela uma cultura de valorização do machismo e misoginia nessa realidade feudal, com a violência sexual e a gravidez precoce sendo banalizados. Não tão distante, pode-se estabelecer um paralelo com a conjuntura brasileira hodierna, na medida em que os índices de gestações na adolescência aumentam exponencialmente, apoiados nas características socioculturais marcantes do povo brasileiro. Logo, é notável que a situação persiste cristalizada, seja na falta de orientação e apoio familiar ou estatal, seja na configuração e estrutura social da nação.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a educação sexual tem sido deixada em segundo plano na ética nacional, assim como o apoio ao adolescente, com o viés de criar uma mentalidade de responsabilidade. Parafraseando o filósofo Immanuel Kant, é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Partindo do pressuposto, é indubitável que a falta de orientação do jovem em ter um convívio harmônico com a família e outros indivíduos da mesma idade implica em inseguranças e medos relacionados a exclusão e marginalização, que acabam por confluir em gestações silenciosas, resultando em riscos para a mãe e a criança, já que a jovem carece de amparo psicológico e médico. Logo, é indubitável que a saúde e segurança são comprometidos.

Outrossim, pode-se observar que a formação sociocultural do Estado brasileiro também colabora para a persistência desse fenômeno, na medida em que reforça uma lógica de violência. Desde o Período Colonial, as tradições patriarcais são fator intrínseco à realidade nacional, com a autoridade masculina sendo reafirmada e as liberdades femininas restringidas, fazendo com que as mulheres assumissem função subalterna na estrutura social, limitadas às funções familiares e reprodutivas. De maneira análoga, nota-se que em muitas casos a jovem sofre com o abuso sexual, ocasionando uma gestação não planejada, ademais, torna-se alvo de preconceitos e marginalização pela sociedade.

Tendo em vista os fatos supracitados, pode-se concluir que o entrave da gravidez precoce permanece enraizado em fatores social. Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. É imperativo que o Governo Federal através do Poder Legislativo, associado aos Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, aprove um plano de amplo espectro que contemple campanhas apoiadas pela mídia, com palestras em instituições de ensino que instruam os pais a orientar e acolher seus filhos. Além disso, hospitais e clínicas devem fornecer atendimento especial e humanizado às jovens grávidas, buscando preservar sua integridade e saúde. Assim, a harmonia social da poderá ser alcançada.