Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 19/03/2020

A protagonista Maeve da série original da Netflix, “Sex Education”, sofreu a pressão de uma gravidez precoce durante sua vida estudantil no ensino médio em razão da falta de orientação escolar sobre sexualidade, que tange assuntos como prevenções de gravidezes e doenças transmissíveis por meio de relações sexuais sem proteção. Fora da ficção, muitos adolescentes, hodiernamente, têm experimentado a paternidade antes do tempo adequado, sendo as medidas implementadas pelo governo nas escolas insuficientes e a mídia responsáveis por esse problema que, além de diminuir o desempenho estudantil, gera preconceitos e até problemas psicológicos nos jovens pais.

Nessa perspectiva, a falta de ações governamentais que colaboram para uma educação sexual nas escolas tem sido ineficaz e quase inexistente devido a tabus de uma sociedade conservadora e patriarcal. Visto isso, a falta de informações aos jovens ocasiona a proliferação de notícias falsas sobre anticoncepcionais e outros meios de evitar a gravidez, o que gera, consequentemente, um aumento no número de evasão escolar motivadas pela paternidade. Além da educação sexual orientar os jovens de forma positiva, ensina, também, crianças a entenderem o que é assédio e a pedofilia. Porém, tal tema tem estado cada vez mais em segundo plano para o governo atual em razão de notícias falsas e ignorância popular. Nessa óptica, é importante comparar a situação com a célebre frase do escritor Wolfgang Von Göethe, que critica a estática do desinteresse: “Não há nada mais terrível do que a ignorância ativa.”

Ademais, a mídia brasileira tem sido ineficaz ao informar o tema por meio de novelas e filmes, evitando discutir sobre o assunto de adolescente em periferias e áreas rurais do Brasil. Carece propagandas de informação sobre camisinhas, anticoncepcionais e doenças sexuais que podem levar ao óbito, como a aids, por exemplo. Muitas vezes, a jovem acaba criando a criança sozinha, visto que muitos pais fogem dessa responsabilidade nos dias atuais, o que acaba gerando preconceitos sobre a vida sexual da jovem, como retratado no livro “Os miseráveis” na França conservadora e machista do século XVIII. Apesar disso, a mídia hodierna não tem auxiliado na mudança dessa realidade, fato que gera desemprego e desigualdade salarial de gênero em razão da maternidade precoce.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação providenciar palestras em âmbito escolar, convidando sexólogos, pedagogos e outros profissionais aptos à discussão sobre a sexualidade, a fim de orientar os alunos sobre assédio e a prevenção de gravidezes indesejadas cada vez mais presente entre os jovens. A mídia televisiva deve propagar métodos anticonceptivos em horários nobres, objetivando informar o maior número possível de pessoas. Dessa forma, a situação de Maeve ficará só na ficção.