Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 03/04/2020

Na série ‘‘Greys Anatomy’’, entre os diversos assuntos abordados, é retratada a situação de uma jovem de 16 anos, Betty, que acaba engravidando de um traficante. Essa adolescente, com medo de contar para os seus pais, foge de casa e é acolhida por dois médicos no ‘‘Hospital Memorial Grey Sloan’’, além disso, o casal decide por adotar o bebê fruto da gravidez indesejada. Analogamente, a situação assemelha-se ao que ocorre no Brasil, em que a gravidez na adolescência é um problema de saúde pública, motivado não só pela desinformação, bem como a má estrutura familiar.

Primordialmente, é necessário analisar a falta de informação nas escolas, em que falar sobre sexualidade ainda é visto como tabu e uma forma de estimular os jovens. Sob outro ângulo, não falar sobre o assunto, aumenta a desinformação sobre métodos contraceptivos e gravidez indesejada,que pode gerar muitos riscos para a mãe e para a criança, como nascimento prematuro e até levar a morte de ambos. Como expõe o site de notícias ‘‘G1’’: o Brasil tem 68 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil jovens de 15 a 19 anos, de acordo com a pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde, demonstrando como os dados são alarmantes.

Outrossim, a falta de estrutura familiar também é um fator, já que a liberdade excessiva e a falta de diálogos dos pais com seus filhos é comum em famílias de jovens que engravidaram precocemente. Conforme o documentário do programa televisivo da rede Globo ‘‘Profissão Repórter’’, sobre gravidez na adolescência, exibido em 2017, a maior parte dos jovens entrevistados vem de um lar mal estruturado, em que seus pais tiveram filhos muito cedo e abandonaram os estudos, logo, esses adolescentes acabam seguindo o mesmo destino. Dessa forma, além das consequências ao risco de vida da mãe e do bebê, há um aumento da evasão escolar, diminuindo as chances de ingresso no ensino superior e um trabalho bem remunerado, seguindo o ciclo da pobreza.

Portanto, é inegável como a desinformação e a má estrutura familiar são impasses para a redução da gravidez na adolescência. Sendo assim, cabe a Ministério da Educação, em conjunto ao Ministério da Saúde, incluir na Base Comum Curricular a disciplina de educação sexual, por meio de palestras e trabalhos durante as aulas com profissionais da saúde sobre sexualidade e seus cuidados, além de palestras nas escolas para os pais, conscientizando sobre a importância do diálogo para evitar gravidez indesejada e doenças transmitidas durante as relações , com o fito de diminuir a desinformação de pais e filhos. Só assim o problema será amenizado, visando uma sociedade mais informada e deixando a gravidez precoce exposta em ‘‘Greys Anatomy’’ apenas na ficção.