Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 04/04/2020
O documentário “Meninas” da diretora Sandra Werneck, entrevista adolescentes e suas respectivas famílias enquanto aborda os impactos da gravidez precoce em suas vidas. Ao longo da filmagem, evidencia-se o importante papel do diálogo entre mães e filhas, em que a falta deste colabora para a falta de esclarecimentos das jovens sobre sexualidade. Dessa maneira, as entrevistadas relatam que entenderam as consequências do relacionamento lascivo precoce após lidarem com a gestação aos treze anos. Apresentando-se como um retrato social, tal obra, contudo, ainda representa a história de parte minoritária da população, haja visto o deficitário e excludente acesso à informação sexual no Brasil, sobretudo às classes menos favorecidas.
É conveniente destacar o distanciamento entre as periferias a as áreas privilegiadas de informação sobre o comportamento sexual dos jovens. Acerca disso, deve-se citar a primeira fase da transição demográfica brasileira, em que as taxas de natalidade e mortalidade altas mantinham o crescimento vegetativo baixo. Já na terceira fase, depois das campanhas sanitárias e introdução de métodos contraceptivos e planejamento familiar, percebe-se a permanência do crescimento vegetativo elevado nas áreas mais abastadas das cidades e áreas rurais. Tais fatos são explicados pela desigualdade social presente até nos dias atuais, em que os habitantes com renda inferior à dois salários mínimos têm que arcar com uma qualidade de vida precária.
Ademais, torna-se imprescindível esclarecer que a consequência da baixa qualidade de vida da população mais pobre deve-se à negligência do Estado em oferecer auxílio a estes moradores. A falta de políticas públicas destinadas a ajudar estes cidadãos influencia tanto na saúde quanto na educação. A partir desse axioma, as adolescentes que convivem com a gravidez precoce acabam por ter que lidar com a problemática sozinhas ou, raramente, ao lado do pai da criança. Sendo assim, a falta de informação por parte dos pais precoces não chega à criança, que, posteriormente pode se envolver em situação semelhante à dos progenitores fazendo com que o ciclo se repita.
Em suma, é evidente que a dificuldade no acesso à informação sobre gravidez na adolescência contribui para o desenvolvimento dos desafios relacionados a ela. Faz-se necessário a implementação de políticas públicas voltadas para uma vida saudável e criativa onde a escola, como agente de espaço de convivência do adolescente, promova a discussão de questões como cidadania e projetos de vida. Desta forma, os objetivos de vida do adolescente serão incrementados, contribuindo para o adiamento de desejos familiares relacionados à gravidez.