Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 08/04/2020
Entre os países da América do Sul, o Brasil é o quarto com o maior número de adolescentes grávidas, de cada mil meninas de 15 a 19 anos, 68 engravidam, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. Nesse contexto, é indubitável que o Brasil enfrenta um dos maiores desafios na sua contemporaneidade: a gravidez na adolescência. Tal problemática torna-se intrinsecamente ligada a entraves históricos-culturais e ao novo papel exercido pela família na sociedade moderna.
Sob esse viés, pode-se apontar como empecilho para a resolução desse transtorno, o preconceito coletivo quando mencionado a necessidade de se discutir o assunto. Por exemplo, a instituição escolar entende a importância de prevenir a gravides na adolescência, porém é recorrentemente prejudicada pela crença equivocada de que informar os jovens sobre contracepção pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos. No entanto, segundo o pensador francês Michel Foucault é preciso mostrar para as pessoas que elas são totalmente livres para romper com pensamentos errôneos originados em momentos históricos diferentes. Assim, remodelando esses valores sociais será possível contornar esse cenário nacional.
Ademais, com a modificação social provocada pela industrialização intensiva e a globalização, as famílias perdem o tempo que antes era destinado ao núcleo familiar. Nesse âmbito, o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida” indica que existem as “instituições zumbis”, as quais são instituições que se mantêm, mas sem exercer a sua verdadeira função. De forma análoga, sendo a família a instituição responsável pela formação moral do indivíduo, quando deixa de exercer esse papel pode ocasionar o aumento de jovens que experimentam na prática os malefícios de uma vida sexual irresponsável. Por conseguinte, expondo-se à DST’s e a gravidez precoce, o qual motiva outros problemas como o êxodo escolar e a futura desigualdade social que essa jovem enfrentará pela falta de escolaridade.
Torna-se evidente portanto que a gravidez na adolescência é uma problemática a ser solucionada no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação impor em instituições de ensino o papel de empreender reflexões sobre o dilema, por meio de palestras educativas com dados estatísticos e relatos de mulheres que passaram pela gravidez na adolescência, tendo como alvo não só os jovens mas também os pais. Com a finalidade de conscientização dos adolescentes à uma vida sexual responsável, demonstrar aos pais a importância do diálogo no núcleo familiar e principalmente para que se desprendam de pensamentos preconceituosos ao se discutir sobre o tema. Objetivando assim a queda do Brasil no ranking de gravidez precoce nos países sul-americanos.