Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/05/2020

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 20% dos bebês nascidos no país possuem mães de idades entre 15 e 19 anos, número alarmante considerando as consequências negativas (físicas, psicológicas e de ascensão econômico-social) na vida dessas jovens. Dessa forma, torna-se necessário examinar as raízes da problemática: a falta de educação sexual dos adolescentes e a criminalização do aborto.

“Tais informações não servem para estimular os jovens, e sim evitar uma gestação precoce e a transmissão de doenças.”, afirma a médica Marise Tofoli sobre sobre a conscientização dos jovens nas questões que envolvem a sexualidade. Entretanto, é notável a resistência das gerações mais antigas com relação ao debate, pois permanece a ignorância e a ideia de que o problema será resolvido reprimindo a conversa, o que perpetua a falta de conhecimento geral no assunto. Apesar do tabu, o sexo, como atividade natural humana, sempre irá ocorrer, independente da tentativa de restrição provinda dos pais, sendo fundamental o ensino, especialmente sobre métodos contraceptivos.

Outrossim, mesmo com as devidas precauções, a gravidez precoce pode vir a ocorrer, afinal, é fato que nenhum anticoncepcional é 100% eficaz. Além disso, adolescentes não são capazes de se responsabilizarem por uma criança, sendo o processo prejudicial ao futuro de ambas partes: mães muito novas perdem diversas oportunidades devido à dedicação que o trabalho exige e aqueles nascidos em lares despreparados passam por muitas dificuldades em seu desenvolvimento. Com o propósito de diminuir os índices da problemática, muitos países já legalizaram a prática do aborto, com devidas restrições ao tempo de gestação, exemplo da França, Canadá e Holanda, obtendo sucesso em seu objetivo.

Em suma, é preciso tomar medidas de prevenção e contenção para solucionar o problema, podendo os governos municipais promoverem campanhas de educação sexual, com palestras nas salas de aula do ensino médio, mediadas por pedagogos e profissionais da saúde, nas quais sejam compartilhadas informações essenciais que muitos dos alunos não recebem dos responsáveis. Ademais, o Governo Federal deve promover a legalização do aborto para gestações até doze semanas, com o oferecimento do serviço no SUS (Sistema Único de Saúde), que deverá ser realizado por profissionais capacitados.