Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 25/04/2020

No Brasil contemporâneo, a gravidez na adolescência ainda é a realidade de muitas pessoas, como ilustra uma pesquisa do Ministério da Saúde, que contabiliza mais de 434 mil adolescentes por ano se tornando mães. Essa situação comprometedora, que atinge principalmente as camadas sociais menos favorecidas, exige uma mudança da mentalidade social preconceituosa acerca do assunto, assim como uma ação governamental de combate mais contundente.

Efetivamente, falar sobre sexualidade ainda é, para muitos, um tabu, principalmente em relação às mulheres. Essa falta de diálogo no ambiente familiar não só priva os jovens de receberem informação, mas apoia uma mentalidade de que uma gravidez tira qualquer perspectiva de sucesso no futuro. A título de ilustração, a série televisiva “Sex Education” retrata a personagem Maeve, que engravida aos 16 anos e acaba realizando um aborto, pois lhe disseram que não conseguiria terminar os estudos ou ter um bom emprego se tivesse um filho. Assim como na ficção, muitas meninas se sentem obrigadas a largar a escola e enfrentam muita dificuldade no mercado de trabalho, pois é pensado que ter filhos as torna menos qualificadas.

Nesse contexto, a educação brasileira também é falha no ensino de práticas sexuais seguras, pois a maioria das escolas que oferecem aulas de educação sexual em seu currículo tratam apenas do aspecto biológico e da reprodução humana. Como consequência, os alunos, que em sua maioria não recebem orientação em seus lares, não são ensinados o mais importante: os riscos de relações desprotegidas e a responsabilidade que devem ter consigo e com seus parceiros, o que os leva à descuidos que podem afetar fortemente suas vidas, seja com o nascimento precoce de um filho ou a contração de uma infecção.

Portanto, objetivando a diminuição dos índices de gravidez na adolescência, o Ministério da Educação deve editar a Base Nacional Comum Curricular, com a inclusão de aulas de educação sexual, que abordem principalmente o ensino de práticas sexuais seguras, orientando não somente a prevenção de uma gravidez indesejada mas também contra as infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, os núcleos familiares devem combater essa mentalidade preconceituosa, que causa vergonha e distancia a orientação saudável, por meio do diálogo com os adolescentes.