Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/08/2020

No filme “Simplesmente Acontece”, a jovem Rosie, ao sair do colegial, é surpreendida com a descoberta de uma gravidez precoce, alterando o rumo da sua vida. Fora da ficção, esse cenário assemelha-se à realidade presenciada no Brasil, uma vez que, segundos dados do IBGE, cerca de 700 mil adolescentes tornam-se mães a cada ano no País. Nesse sentido, esse empecilho é decorrente, precipuamente, da escassa educação sexual no âmbito social e de fatores de ordem familiar. Dessa forma, são imprescindíveis ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência.

Nessa perspectiva, de acordo com o jornal O Sul, em 2019, o Poder Executivo afirmou que iria retirar da Caderneta de Saúde do Adolescente todo conteúdo que envolvesse educação sexual e sugeriu que os pais rasgassem as páginas que abordassem o tema por considerar inadequado ao público alvo. Com efeito, o conservadorismo predomina no Brasil e perpetua-se no âmbito social, visto que muitos indivíduos acreditam que falar sobre essa modalidade educacional influenciará os jovens a ter uma vida sexualmente ativa. Contudo, essa falta de informação acerca da sexualidade no contexto da educação favorece o surgimento de gestações precoces na adolescência, já que não há uma instrução adequada para o uso dos métodos contraceptivos. Diante disso, pode inferir que a omissão desse assunto é prejudicial. Logo, fazem-se indispensáveis medidas governamentais para reverter esse panorama.

Outrossim, segundo o artigo “Pregnancy in adolescents” da médica britânica Sally Davis, adolescentes que iniciam a vida sexual precocemente e engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães também engravidaram durante a adolescência. De fato, o ambiente familiar demonstra uma relação com esse impasse, dado que uma significativa parcela de pais imaturos constrói uma unidade familiar conturbada e desajustada, afetando as garotas que, por vezes, preferem engravidar para sair de casa e formar sua própria família. Sob esse viés, depreende-se que fatores de ordem familiar afetam o psicológico desses indivíduos, contribuindo para a ocorrência de gestações precoces, fato inadmissível. Desse modo, fazem-se mister providências governamentais para modificar esse prisma.

Dessarte, são fundamentais procedimentos para reduzir os entraves supramencionados. Para isso, o Ministério da Saúde deve elaborar um projeto de educação sexual nos colégios que vise a explicar de maneira simplificada os métodos contraceptivos, por meio de palestras e de jogos lúdicos, com o fito de mitigar a desinformação sobre o assunto e a gravidez na adolescência. Ademais, urge que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos forneça atendimento psicológico nas escolas aos jovens que possuem famílias conturbadas, por intermédio de uma parceria público-privada, a fim de diminuir a gestação precoce. Assim, o que ocorreu com Rosie, em “Simplesmente Acontece”, não irá se repetir.