Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 08/05/2020

A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública que afeta a vida de milhares de jovens no Brasil, país que possui taxas acima da média mundial, com cerca de 60,5 adolescentes grávidas a cada grupo de mil gestantes. Isso ocorre, sobretudo, devido à preferência de distribuição, feita pelo SUS, de métodos contraceptivos de curta duração, somada à falta de uma legislação que torne obrigatório o ensino de educação sexual nas escolas do país. Desse modo, são necessárias ações governamentais que combatam os índices alarmantes de gravidez adolescente no Brasil.

No Brasil, é comum a existência de campanhas governamentais que incentivem o uso da camisinha em período de Carnaval, fato que evidencia a cultura governamental de eleger métodos de curta duração para as pessoas. Ao concluir que o uso da camisinha é indiscutível no combate a doenças sexualmente transmissíveis, também é necessário lembrar que sua eficácia não é maior do que a de métodos de longa duração, como o DIU, a vasectomia e a laqueadura. Assim, seria interessante o investimento, por parte do governo, em métodos de longa duração como os anteriormente citados, haja vista que estes não apresentam riscos de redução de efetividade se administrados irregularmente, que é o caso da pílula anticoncepcional, e poderiam apresentar um grande resultado em relação ao combate à gravidez indesejada na adolescência.

Além disso, é importante citar que a educação sexual ainda é um tabu no Brasil, o que dificulta a aprovação de uma lei que torne obrigatório o ensino de tal matéria nas escolas do país. Um exemplo disto é o movimento Escola Sem Partido, que é contra o ensino de educação sexual nas escolas brasileiras.  Diversas vezes, não há ensino de educação sexual nas escolas de comunidades carentes, o que torna o perfil do adolescente desfavorecido economicamente o alvo de índices de gravidez indesejada, já que estes não são incentivados a usufruir de métodos como a camisinha ou a pílula anticoncepcional. Assim, ao analisar o principal público afetado, é possível concluir que a gravidez na adolescência contribui para a perpetuação de um ciclo de pobreza, pois é também produto da desigualdade social no país, ao contribuir significativamente com os índices de evasão escolar.

Portanto, para que haja efetividade no combate à gravidez na adolescência, é necessário que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Economia esquematizem meios para o investimento em métodos contraceptivos de longa duração, que serão oferecidos pelo SUS em municípios de todo o país, com o intuito de reduzir significativamente o alto índice de gravidez na adolescência. Ademas, o ensino de educação sexual poderia ser incluído na BNCC para a perpetuação do conhecimento de métodos contraceptivos e  sua administração consciente.