Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 18/05/2020

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando analisa-se a ineficiência de ações governamentais para que haja a redução da gravidez na adolescência, tem se a percepção de que o ideal proposto pelo filósofo está distante da realidade. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal aliada à mídia, ora pela omissão escolar.

Em primeira análise, fundamentando-se na teoria do corpo biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados à disseminação de informações  que possam atenuar a gravidez na juventude são ínfimos. Em consequência desse déficit informacional e de leis que garanta aos jovens acesso à programas de educação sexual e a dimenssão do meio midiático enaltecendo o sexo  entre os adolescentes cada vez mais precoce, são fatores contribuintes para a perpetuação do problema.

Outrossim, a má formação socioeducional do basileiro é um fator determinante para a permanência do impasse, uma vez que as instituições de ensino possuem um ensino pragmático e pouco prepara os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade, dado que não incita a criticidade e o repassamento de orientações acerca do modos de evitar a gestação na juventude e as consequêcias que esta pode causar, como a dificuldade em conciliar gravidez com os estudos ou até mesmo, a inserção ao meio mercadológico, causando um desestruturação familiar. Sob essa óptica, tal entrave vai ao encontro da Teoria do Caos de Edward Lorenz, em que uma pequena mudança no início de um evento pode trazer problemas desconhecidos e irreparáveis no futuro.

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação do impasse. Para tanto, urge que o Estado fiscalize o que é repassado pela mídia como inadequado para determinado público juvenil e incite a divulgação de campanhas de orientações contra uma gravidez indesejada entre os jovens, por intermédio de agentes da saúde auxiliando os ensinamentos, a fim de que menos pessoas possam ter a juventude interrompida. Ademais, é importante que a escola aliada à família, oriente os jovens acerca de possíveis gravidez precoce, por meio da inserção nas grades curriculares   de aulas sobre sexualidade, ministrada por agentes capacitados no assunto e que também incitem o diálogo entre pais e filhos sobre o assunto, com o intuito de que o legado deixado por Nietzsche possa virá realidade.