Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 16/05/2020
As altas taxas nacionais de gravidez na adolescência são um indicador expressivo da atual situação da juventude brasileira. De um lado, está o governo, responsável por políticas públicas que não estão surtindo um efeito tão significativo para provocar uma queda drástica nos números; do outro, estão os jovens, diretamente afetados por aquelas políticas públicas e decisivos como meio social no posicionamento que eles mesmos terão diante de dúvidas quanto à sua vida sexual.
Diante dos dados, são claras as atuais falhas do governo nessa questão. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, quando as instituições sociais de um Estado param de atender o propósito para que foram criadas, a sociedade entra em um estado que ele chamou de “anomia”: a falta de regras. As atuais políticas públicas voltadas à redução da gravidez na adolescência impedem a entrada deste tópico em um estado de anomia, mas sua já comprovada insuficiência alerta para o que pode acontecer caso as medidas vigentes permaneçam sem qualquer alteração ou melhoria.
Nesse contexto, não deve ser esquecida a influência que os jovens têm no comportamento uns dos outros, pois, como também apontado por Durkheim, o meio interfere na socialização do indivíduo. Esse cenário de influências é apresentado em uma série chamada “Sex Education”, que, como o título já anuncia, aborda temas relacionados à educação sexual. Na série, o protagonista é filho de uma profissional em educação sexual; assim, utilizando-se do conhecimento obtido dos materiais da mãe, ele passa a dar conselhos sobre o assunto para seus colegas de colégio. O fenômeno apresentado na série evidencia uma realidade há muito comum: a troca de conselhos e experiências entre os jovens acerca de suas dúvidas sexuais.
Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas e o reforço das já existentes, para que haja uma mudança significativa no cenário da gravidez na adolescência. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cidadania, deve fazer um mapeamento aprofundado de cidades e municípios com maiores quantidades de nascimentos, para que possam ser definidas as regiões prioritárias e traçados planos adaptados às diferenças regionais. Em tratando-se da conscientização dos jovens, o Ministério da Educação deve investir em ações que levem palestrantes e profissionais de saúde para as escolas, pois apenas a conscientização juvenil pode garantir um futuro melhor para eles mesmos.