Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 19/05/2020

No programa Panorama, Erika Passos fala sobre sua primeira gestação, aos quinze anos de idade. Assim como ela, muitas pré-adolescentes e adolescentes engravidam na faixa dos dez aos dezenove anos. Posto isso, nota-se que a gravidez na adolescência é uma questão evidente no Brasil; os números revelam a ineficácia das ações governamentais atuais. Além disso, a problemática gera consequências desfavoráveis no que diz respeito a educação e a saúde física e psicológica, principalmente para a mãe e para o bebê.

Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que o Brasil se encontra acima da média latino-americana nos índices de gravidez precoce. Segundo o G1, Bem Estar (2018), a cada mil nascimentos sessenta e oito são de mães adolescentes, enquanto, por exemplo, no Canadá o número cai para onze; tal contraponto revela a seriedade da questão. São sessenta e oito meninas que não concluíram os estudos, não têm - na maior parte dos casos - situação financeira estável, além de estarem gerando uma criança dentro de si sendo que o seu próprio corpo está passando por diversas mudanças, como afirma a ginecologista e obstetra Albertina Duarte em uma entrevista. Posto isso, a saúde tanto da mãe quanto do filho ficam comprometidas durante a gestação precoce.

Ademais, as questões sociais também trazem desafios, nos quais a adolescente é bastante afetada. Conforme a matéria da Agência Brasil, em um milhão de adolescentes de quinze a dezessete anos, 212 mil moças deixam a escola pela gravidez, sendo que apenas 2% da continuidade aos estudos. Desse modo, a antecipação em questão origina problemas não somente no presente, mas também no futuro da gestante, haja vista que muitas oportunidades se perdem com a não conclusão dos estudos, impedindo o ingresso em uma universidade e ascensão social e financeira.

Destarte, para que haja eficaz redução na gravidez na adolescência, o Poder Executivo em parceria com o Ministério da Educação deve desenvolver um projeto que vise a propor palestras no ensino fundamental e médio de escolas, em especial, públicas. As palestras devem ser elaboradas com o auxílio dos profissionais capacitados, como psicólogos, médicos e os demais agentes da saúde, que serão responsáveis pelas explicações nas instituições de ensino; a atividade deve ser executada após o intervalo para alimentação, com duração de uma aula, a cada dois meses. Além disso, deve haver espaço para diálogo e retirada de dúvidas dos alunos. Desse modo, com a clareza do incentivo a prevenção, moças e rapazes poderão adquirir maior senso de responsabilidade.