Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 20/05/2020
No Brasil contemporâneo, a gravidez na adolescência não pode ser vista como uma mera questão familiar, mas sim como um grave dilema social de abrangência escolar e governamental que necessita ser tratado como prioridade, visto que possui razões inadmissíveis. Nessa perspectiva, Durkheim afirma que o ser é aquilo que a sociedade faz dele. Logo, pode-se observar que, em um coletivo no qual a sexualidade não seja um tema abordado abertamente, a problemática tende a se agravar. Em suma, é crucial que o cenário seja reformulado a partir de ações sinérgicas entre família, escola e Estado.
Sob essa ótica, dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde demonstram que a gravidez precoce prevalece entre jovens de baixa renda. Nesse sentido, é evidente que o suporte familiar é decisivo no que tange à educação sexual ofertada, dado que famílias mais pobres têm maior dificuldade de fornecer esse conhecimento. Nesse viés, a escola surge como uma importante aliada capaz de suprir tal carência de informações, devendo colaborar com a mitigação do impasse. Por outro lado, a omissão estatal contribui para a persistência da temática em questão, uma vez que a ausência de programas educacionais fortalece o tabu da sexualidade. Desse modo, reafirma-se a tese de que a cooperação de diferentes atores sociais é essencial na resolução da adversidade.
Por esse prisma, a novela “Malhação - Seu Lugar no Mundo” apresenta algumas das consequências decorrente da gravidez na adolescência, quando a personagem Krica se vê com dificuldade de organizar seu tempo e conciliar a maternidade com os estudos. Infelizmente a narrativa não destoa da realidade brasileira, pois histórias como a de Krica são vistas com frequência. Ademais, vale ressaltar que a gestação precoce oferece riscos, tanto para a jovem, quanto para o bebê, e pode resultar muitas vezes em partos prematuros ou abortos espontâneos. Outrossim, as complicações psicológicas para a mãe são concretas, sobretudo quando não há apoio familiar. Logo, é possível notar que, caso o quadro não seja reestruturado, implicações poderão se agravar.
Portanto, medidas são necessárias para resolução do impasse acerca da gravidez na adolescência. Para tanto, Escola e Família devem atuar em conjunto ao transpor o tabu da sexualidade por meio de conversas assíduas, livres de preconceitos, a respeito do ato sexual e das maneiras de prevenção. Tal ação deve ser realizada a fim de manter os jovens informados sobre as possíveis consequências de atitudes precipitadas. Por sua vez, o Governo deve, por intermédio do Ministério da Saúde, atuar na prevenção da gravidez precoce, por meio de programas educativos de distribuição de preservativos, além da promoção de palestras, a fim de mitigar o dilema supracitado e precaver possíveis IST’s. Dessa maneira, a sociedade honrará o pensamento Durkheimiano de modo reverso ao de costume.