Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 30/05/2020

Discussões acerca dos índices de gravidez na adolescência são frequentes no mundo contemporâneo e geram uma ampla divergência de opiniões referentes aos meios de evitar o aumento dos índices em questão. Apesar dos constantes debates sobre o tema, muitos países ainda contam com uma insuficiência de ações governamentais que colaborem para reduzir a ocorrência da gravidez precoce, o que constitui um problema que, profundamente analisado, tem proporções maiores do que as aparentes.

Primeiramente, é válido analisar a questão no contexto brasileiro, em que, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de mães adolescentes é mais elevado em áreas economicamente desfavorecidas, como periferias de centros urbanos. Tal realidade é perceptível em diversos outros países, e isso se deve, principalmente, ao escasso contato que os jovens desses ambientes têm com orientações fundamentadas quanto ao sexo e à sexualidade. Tendo em vista a baixa eficiência do meio escolar nessas áreas e a constante evasão escolar, é indubitável que os jovens de classes econômicas menos elevadas estão mais expostos às influências da sociedade e de seus próprios impulsos, o que explica a alta taxa de meninas adolescentes grávidas nesses grupos sociais.

Nesse contexto, deve-se destacar as possíveis consequências de um evento de gravidez precoce. É comum que, ao engravidar, uma adolescente opte por deixar a escola e não retome seus estudos após o fim da gravidez, o que agrava o problema da evasão escolar já mencionado anteriormente. Ademais, no que se refere à saúde física e psicológica da adolescente, uma gravidez pode trazer graves prejuízos. Por encontrar-se em um período de amadurecimento, é provável que o corpo da jovem não seja capaz de promover um período de gravidez sudável, tanto para a mãe quanto para o feto. O estado psicológico da adolescente, por sua vez, também pode encontrar-se despreparado para conceber as responsabilidades e a pressão familiar e social que virão com a maternidade, o que poderá culminar no desenvolvimento de sérios transtornos mentais.

É inegável, portanto, a necessidade de ações governamentais com vistas a minimizar esse problema. Órgãos públicos responsáveis pela manutenção da saúde devem promover o acompanhamento médico do período de gravidez das adolescentes, principalmente as que se encontram em áreas com pouco prestígio socioeconômico, a fim de evitar danos à saúde da mãe e de seu filho. É igualmente essencial o incentivo à educação sexual nos centros de ensino, que são, muitas vezes, o único contato dos adolescentes com informações fundamentadas sobre os riscos de uma gravidez precoce.