Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 04/08/2020

O filme “Juno” conta a história de uma adolescente que engravidou aos 16 anos, tendo que enfrentar dificuldades sociais e psicológicas. Não distante da ficção, observa-se que a gravidez precoce é uma problemática intrínseca à realidade brasileira que precisa ser erradicada. Isso se deve, sobretudo, a falta de informação – uma vez que tal assunto é tratado como tabu - e ao descaso governamental – no que tange à escassez de campanhas contínuas de combate e conscientização. Nesse prisma, faz-se mister encontrar subterfúgios que minimizem essa inercial situação.

É cabível ressaltar, a priori, que a desinformação por ausência de diálogo está entre as causas da problemática. Nesse sentido, sabendo que a sociedade brasileira é historicamente influenciada por preceitos cristãos, a discussão em torno de assuntos como sexo e sexualidade se torna um tabu, instigando aos núcleos familiares e sociais a evitarem essa questão. Dessa forma, por não ser discutido abertamente, tal feito gera desinformação e irresponsabilidade, o que favorece a não adesão aos métodos contraceptivos, além de corroborar infortúnios maiores como evasão escolar, preconceito e falta de oportunidades. Assim, evidencia-se a necessidade dessa desinformação ser combatida, buscando atenuar os índices de gravidez precoce.

Outrossim, é indubitável que a inobservância estatal impulsiona o problema. Sob esse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman criou o conceito de “Instituição Zumbi”, que define o Estado como algo existente, mas que não cumpre sua função social. Nesse peculiar, nota-se que o governo falha perante as políticas públicas de combate à gravidez precoce, uma vez que as campanhas voltadas a esse assunto são sazonais e insuficientes para sanar tal mazela. Além disso, o Estado não oferece uma educação sexual nas escolas, fato que também contribui para que os jovens não tenham informações sobre o assunto e não saibam as melhores formas de se proteger, colaborando não apenas para gravidezes indesejadas, como também para infecções sexualmente transmissíveis. Logo, são imprescindíveis medidas mais contundentes por parte do Estado para o enfrentamento da problemática.

À luz dessas informações, é essencial a reformulação de políticas públicas visando ao combate à gravidez na adolescência. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, aliado às mídias sociais e televisivas, elaborar campanhas nacionais contínuas, com a participação profissionais da área e influenciadores digitais ligados ao público infantil e juvenil, a fim de evitar e minimizar as conseqüências de uma gravidez precoce. Similarmente, compete ao Poder Público elaborar uma proposta que inclua a educação sexual na grade escolar, com o fito orientar e conscientizar os jovens desde cedo sobre o assunto. Desse modo, poder-se-á evitar uma realidade como a do filme “Juno”.