Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 25/09/2020

No contexto social brasileiro,apesar do número de gestações precoces ter diminuído, ainda existe um grande índice de meninas grávidas, segundo a Organização Mundial da Saúde ( OMS ) são mais de 68 nascidos para cada mil adolescentes, enquanto a média mundial é de 45 nascimentos. Essa situação complexa demonstra a displicência estatal em tratar do assunto com eficiência necessária, tendo em vista que a gestação entre adolescentes se configura como um grave problema de saúde pública e social.

Em primeiro plano, a saúde pública brasileira se encontra extremamente limitada, dessa forma, faltam profissionais de fácil acesso para todos, como ginecologistas e enfermeiros,que realizem consultas e exames em meninas e tirem todas as suas dúvidas,além de,em muitos postos de saúde, os variados métodos contraceptivos não serem repostos constantemente. Outrossim, a estigmatização sobre a sexualidade faz com que o assunto se torne tabu e não se seja discutido abertamente em ambientes onde deveriam ser pauta, como escolas, postos de saúde e ambiente doméstico. Em consequência disso as formas de prevenção para uma gestação indesejada não são propagadas, e muitos adolescentes tem vergonha de buscar essa prevenção, contribuindo para a estatística da OMS.

Nesse contexto, é importante ressaltar que dados do Instituto de Pesquisa Aplicada ( Ipea ) apontam que a maioria das gestações infanto-juvenil acontecem nas classes mais pobres do Brasil, aumentando as chances de perpetuar o ciclo de pobreza, confirmando a negligência do Poder Público com esse segmento social. Prova disso é que, mesmo com o mercado de trabalho cada vez mais concorrido e exigente, os dados do Ipea também demonstram que a maior causa da evasão escolar entre meninas de 10 a 17 anos é ter engravidado nessa fase, indo de contra a premissa do geografo Milton Santos “A educação é a ferramenta mais eficaz ao combate das desigualdades sociais”.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas mais contundentes de líderes políticos no tocante à gravidez precoce, por meio de melhor estruturação de postos de saúde, com mais contratação de ginecologistas, por exemplo, e constantes reposição dos principais contraceptivos,como camisinha e pílulas,além de palestras em escolas e comunidades sobre meios de prevenir a gravidez, bem como suas consequências, no intuito de diminuir exponencialmente esse fenômeno e garantir que todos os brasileiros tenham pleno aproveitamento de cada fase e oportunidade.