Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 03/07/2020

A gravidez na adolescência tem sido considerada um problema de saúde pública brasileiro. Isso porque, além das elevadas taxas de gravidez entre meninas de 15 a 19 anos, as consequências fisiológicas e sociais da gestação têm comprometido o presente e o futuro dessas jovens mães. Assim, urge a adoção de ações governamentais efetivas a fim de alterar esse cenário.

A priori, a gravidez na adolescência é considerada um evento adverso, pois ocorre em um dos períodos de maiores transformações físicas de uma mulher, que se encontra em transição da infância para a vida adulta. Devido a isso, a vigência de uma gestação responde por alterações anatômicas e hormonais em uma estrutura física ainda inapta a esse evento, aumentando a probabilidade de aborto, nascimento prematuro e malformações congênitas. Nesse contexto, a negligência em relação ao pré-natal adequado e o descuido em relação ao autocuidado, podem potencializar os riscos de uma gravidez mal-sucedida e com elevado risco de morte dessa gestante.

Outrossim, é sabido que os aspectos sociais dessas jovens também são afetados pela gravidez. Devido a falta de apoio familiar e a abrupta exclusão do convívio com seus pares, essas adolescentes deixam de vislumbrar um futuro promissor e a conquista de uma vida bem sucedida - o que pode ser agravado quando pertencem a núcleos familiares disfuncionais. Com isso, segundo a ONU, 75% das mães adolescentes encontram-se fora do ambiente escolar, marginalizadas do acesso ao mercado de trabalho e desprovidas do desenvolvimento de autonomia e independência financeira.

Assim, sendo, ainda que desafiador, muito pode ser feito para alterar o cenário da gravidez na adolescência. Nesse sentido, cabe aos Ministérios da Saúde e da Educação uma força-tarefa visando estabelecer um programa de saúde voltado para o público adolescente. Tal programa pode ser realizado mediante o uso do ambiente escolar, com a devida adequação do Plano Nacional de Educação, incluindo disciplinas que permitam a discussão sobre temas específicos para esse grupo, tais como profissionalização e educação sexual, ministradas por especialistas em comportamento de adolescentes.  Dessa forma, espera-se preservar a saúde dessa parcela da população e garantir um futuro sem danos físicos e sociais.