Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 29/06/2020

Publicada postumamente em 1948, a narrativa “Clara dos anjos” de Lima Barreto reflete as amarguras, as decepções e o preconceito de uma jovem mulata do subúrbio carioca de 17 anos vítima do descaso de uma sociedade racista. Na obra, o leitor assiste às incertezas e aos medos dessa adolescente grávida e abandonada pelo pai da criança. Infelizmente, a realidade retratada na ficção Pré-modernista é bastante comum na sociedade contemporânea pela negligência de políticas governamentais eficientes o que implica sérios problemas físico e psicológico a essas adolescentes.

Primeiramente, a ausência do poder estatal na realidade de diversas jovens pobres do Brasil potencializa a gestação precoce, pois, muitas vezes, elas engravidam por falta de informações e acesso a métodos contraceptivos. Segundo Gilberto Dimenstein, no livro “O cidadão de papel”, a educação sexual e a escolarização, comumente negligenciadas pelo governo, seriam o caminho para evitar prenhez precoce e o aborto. Para o jornalista, devido à falta de objetivos ou de incentivos do poder público em relação aos estudos, por exemplo, essas meninas carentes passam a acreditar que ter filhos representa o único projeto de vida. Analogamente, essa triste realidade poderia ser também vivenciada pela suburbana Clara dos Anjos. Na trama, a protagonista não é só ofendida pela mãe de Cassi Jones - pai do bebê - a qual a acusa de querer casar com seu filho branco, como também sofre o descaso social de uma sociedade preconceituosa e desumana ao ponto de fechar a narrativa proferindo a si própria não ser nada no mundo.

Consequentemente, devido ao fato de essas garotas não estarem totalmente prontas fisicamente para uma gestação, há maior chance de parto prematuro, de rompimento precoce da bolsa e de aborto espontâneo, por exemplo. Outro efeito problemático no contexto desse tipo de gestação é o despreparo emocional que poderia acarretar depressão pós-parto ou, durante a gravidez, diminuição da autoestima e problemas afetivos entre a mãe e o bebê. Assim, isso faz com que, muitas vezes, essas crianças sejam colocadas para adoção ou criadas pelos avós, sem que haja qualquer contato maternal.       Portanto, com vista a mitigar o número de gravidez entre jovens brasileiras, o Ministério da Saúde, junto com o da Cidadania e o da Educação, devem criar campanhas socioeducativas com a participação de ginecologistas, psicólogos, pedagogos e biólogos por meio de aulas, palestras e entrevistas que serão realizadas, especificamente, em postos de saúde, em escolas e em associação de moradores a partir de divulgação em rádios comunitários, mídias televisivas, cartazes e “outdoors”. O intuito desse projeto é debater com jovens carentes temas relevantes: sexo  seguro, sexualidade e planejamento familiar, sendo essa atividade um canal de informação e de formação cidadã.