Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/07/2020
Apesar da possibilidade de gravidez após a ocorrência da “menarca”- primeira menstruação que ocorre na adolescência-, a biologia moderna ratifica que o corpo da mulher ainda não detém de maturidade óssea suficiente para receber um bebê. Nesse contexto, mesmo com o empecilho,a gravidez na adolescência é uma problemática comum, tendo em vista que muitos jovens possuem pouco conhecimento sobre a temática, bem como devido à existência de um “tabu” que permeia o sexo.
A priori, a falta de educação sexual frente aos jovens é um dos fatores que inviabiliza a eliminação desse percalço. Nessa perspectiva, salienta-se o pensamento do filósofo François Rabelais, no qual ele atribui à ignorância a precursão de diversos estorvos, o que valida a gravidez na adolescência, uma vez que muitos adolescentes por não conhecerem sobre total amplitude acerca de métodos contraceptivos ou por acreditarem na eficácia de mecanismos como o coito interrompido, praticam o sexo de maneira a potencializar a chance de uma gravidez. Com isso, muitas meninas abandonam a escola, seja por precisarem de uma fonte de renda para o sustento do filho, adentrando prematuramente no mercado de trabalho, seja por não conseguirem cuidar dos filhos e estudar, reduzindo não só os índices educacionais, mas também a chance de conseguirem uma renda maior no futuro através da profissionalização.
Ademais, a forma como a discussão sobre o sexo é tratada na sociedade repercute no estabelecimento do problema. Sobre esse viés, a abordagem sobre sexo, com ênfase no seio familiar, o qual é vista como um “tabu”, condiciona muitos jovens, pertencentes a esses seios, a não desenvolverem uma maturidade sexual, direcionando-os a comportamentos que desvalorizam os cuidados sexuais, como o uso de preservativo, por acreditarem ser uma prevenção exagerada ou por outros motivos. Dessa forma, a taxa de natalidade entre jovens permanece elevada, tal como se verifica em dados do Ministério da Saúde do ano de 2015, os quais confirmam que mais de 500 mil nascidos são filhos de moças entre 10 e 19 anos.
Assim, percebe-se que como a ignorância e esse “tabu” quanto ao sexo influenciam na situação da gravidez na adolescência. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação, por meio da inclusão na BCC- Base Comum Curricular- de assuntos, como contracepção, que abordem temáticas que envolvam o sexo dentro de disciplinas como biologia,a fim ampliar o conhecimento de métodos contraceptivos, como a camisinha, o DIU e pílulas que impedem a nidação, para dessa maneira, diminuir as taxas de gravidez na adolescência e tornar os debates sobre o sexo algo comum nas gerações futuras.