Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 04/07/2020

No filme Juno, uma jovem de 16 enfrenta os desafios de ter engravidado precocemente de seu colega de escola. Embora seja uma obra ficcional, tal longa-metragem evidencia uma problemática que atinge o corpo social do Brasil, a gestação na adolescência. Isso se deve, mormente, à ineficiência do Poder Público e à ausência de diálogo de parcela das famílias. Logo, são essenciais ações do Ministério da Saúde e Ministério da Família, visando ao enfrentamento dessa situação.

Nesse contexto, segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o equilíbrio social. Isso posto, evidencia-se que, ao não assegurar o acesso à métodos contraceptivos em clínicas e hospitais públicos e ao não promover a conscientização dos jovens sobre esse imbróglio, o Governo desconstrói essa harmonia. Consequentemente, o número de jovens que abandonaram os estudos ou o trabalho para cuidarem de seus filhos aumentará fortemente, causando, assim, problemas econômicos e sociais ao País. Tal fato é corroborado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em que 75% das adolescentes que têm filhos estão fora da escola ou do trabalho.

Ademais, é indubitável que a falta de conversação de parte das famílias brasileiras colabora para o agravamento desse problema. Por esse viés, a máxima da ideologia determinista: “O indivíduo é produto do seu meio”, evidencia que a escassez de diálogo, no âmbito familiar, sobre a gravidez na adolescência e seus riscos, acaba por criar jovens que desconhecem tal problemática e ficam propícios a ela. Em decorrência disso, esse imbróglio agrava-se em regiões periféricas, confirmado por estudo do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, que possuem maior instabilidade nos núcleos familiares, piorando, assim, a desigualdade social no País.

Logo, é de fulcral relevância ações governamentais para o enfrentamento dessa situação. Nesse sentido, assiste ao Ministério da Saúde, em parceria com empresas de saúde, garantir o acesso de jovens à métodos contraceptivos, por via da distribuição gratuita ou com preços reduzidos em postos de saúde e farmácias e por via de campanhas de conscientização sobre a importância do uso dessas, com o intuito de reduzir o número de jovens que abandonam os estudos e o trabalho para cuidar de seus filhos. Também, cabe ao Ministério da Família, em conjunto com o Ministério da Educação, desconstruir a ausência de diálogo nos núcleos familiares brasileiros, por meio de ações sociais e propagandas com psicólogos, educadores e especialistas nessa temática em escolas, bairros e universidades, a fim de garantir que as famílias possuam maior conhecimento sobre esse empecilho e possam alertar e auxiliar os jovens a evita-la. Assim, será possível reduzir a gravidez na adolescência e deixar a situação apresentada no filme Juno apenas na ficção.