Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 20/07/2020

No documentário “Meninas”, é retratada a história de quatro garotas, no Rio de Janeiro, entre 13 e 15 anos, que estão passando pela gestação precoce e, ao longo da obra documental, é exibido o quanto essas adolescentes são excluídas socialmente tanto pela família quanto pelo Estado. Em análise a isso, é explícita a necessidade de condutas governamentais para a minimização dessas gravidezes precoces, o que não é visto atualmente, já que é presente o tabu sobre educação sexual em concomitância com o acesso restrito a métodos contraceptivos

Mormente, é necessário avaliar a conjuntura antecedente na qual esta nódoa é atinente ao momento atual. Ao longo da história, a sociedade brasileira se estabeleceu como uma sociedade em maioria cristã, à qual o debate sobre sexo e sexualidade são considerados inapropriados. Dessa forma, convertendo a educação sexual em uma temática suprimida dentro da família, na mídia e nas escolas, contribui-se mais para a desinformação sexual, tal como no medo dos jovens em pautar tais assuntos visto que o debate é um admissível avanço no combate à gravidez precoce.

Outrossim, é imperativo pontuar que, mesmo com noção sobre educação sexual, muitos desses jovens não têm acesso a medicamentos contraceptivos adequados. Segundo o MUNIC, dentre 27 capitais brasileiras, apenas nove distribuem todos os métodos contraceptivos em programas de planejamento familiar. Com isso, fica visível a indiferença do Estado na prevenção da gravidez na adolescência, uma vez que, sem a possível aquisição desses medicamentos gratuitamente, ligado ao medo de abordar o assunto sexo em âmbito social, faz com que ações governamentais sejam mais necessárias no que toca à gravidez precoce.

Desse modo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), por meio de verbas públicas, fazer parcerias com programas televisivos e mídias digitais, mostrando que a educação sexual nada mais é do que uma importante forma de prevenir a gravidez precoce, e isso utilizando formadores de opinião ligados ao público juvenil, visando com que jovens não tenham mais medo de abordar esses assuntos socialmente e nem que o debate sobre tal tema seja suprimido. Transfigura-se, ainda, que o Ministério da Saúde pressione os estados brasileiros na compra de medicamentos anticoncepcionais para população, fazendo, assim, com que a história do documentário “Meninas” não seja um reflexo da sociedade hodierna e que ações governamentais sejam realizadas na redução da gravidez na adolescência.