Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 20/07/2020
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 16% dos partos realizados em 2016 envolveram mães entre 15 e 19 anos, o que indica a persistência da gravidez prematura no país. Os danos fisiológicos decorrentes desse fenômeno afetam tanto a mãe quanto o seu bebê. Ainda assim, é lamentável a maneira que o Estado lida com tal contexto, sendo que o seu comportamento atual contribui para o agravamento da situação e para a geração de outros transtornos de ordem social.
Primeiramente, é necessário apontar os riscos de ordem fisiológica inerentes à gravidez na adolescência. Segundo a ginecologista Albertina Duarte, a gestação de jovens geralmente envolve uma faixa de risco. Esse perigo decorre do estado de desenvolvimento do corpo da menina, o qual ainda não está preparado nutricionalmente para suprir outro ser. Devido a isso, é notável a enorme quantidade de situações adversas que podem ser originadas. A título de ilustração, uma grávida prematura pode sofrer séria desnutrição, adquirir doenças - como a diabete gestacional - e não só gerar um indivíduo com menos massa corporal, mas também provocar a morte do feto.
No entanto, verifica-se que, apesar do risco de vida que essa problemática envolve, ainda há uma insuficiente resposta do governo ao problema, o que pode causar novos danos, sendo esses de ordem social. Atitudes como a das unidades básicas de saúde em Manaus (AM) - as quais não só dão apoio para o pré-natal mas também buscam re-inserir as jovens mães na vida escolar - são escassas no país. Ademais, essa carente estrutura de saúde é acompanhada de um improdutivo diálogo entre as autoridades e a sociedade, prejudicando a plena discussão de temas ligados à educação sexual e emocional com os jovens. Tudo isso colabora para que o risco à saúde das meninas gestantes continue existindo, a chance de re-inserção escolar delas diminua e, consequentemente, não adquiram sua independência financeira, alimentando um ciclo de pobreza.
Dessa maneira, considerando os prejuízos fisiológicos, bem como o inadequado comportamento estatal como agravante e perpetuador do problema, urge que medidas sejam implementadas. Bom será se o Ministério da Saúde instituir um plano de combate à gravidez na adolescência. Esse projeto deverá, por meio de verbas governamentais, estimular a criação de programas de atendimento completo às jovens grávidas com equipes multidisciplinares nos postos de saúde. Além disso, deverá haver um esforço para estimular essas mães a voltarem aos estudos, mediante a construção de mais creches que abriguem seus filhos enquanto elas estejam na escola. Essas intervenções, aliadas a campanhas midiáticas que contratem influencers jovens para abordarem assuntos relativos ao tema com o seu público adolescente, poderão amenizar o problema relativo à gravidez prematura no Brasil.